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Alfredo Figueiras (1883- 1963)

Alfaiate, oficial do Registo Civil, jornalista

Alfredo Figueiras nasceu em Silves em 6 de Março de 1883. Do Algarve rumou ainda adolescente, sozinho, para o Barreiro. Começou a trabalhar numa alfaiateria da Rua Aguiar. Casou, constituiu família. Lia muito, adorava escrever, o que bem útil foi para a seu percurso. Deixou-se  arrebatar pela propaganda republicana, tornou-se militante do Partido Republicano Português. Logo em 1912 passou a executar a função de oficial da Conservatória do Registo Civil. (Que então se situava no edifício da Câmara Municipal do Barreiro).
Àquele cargo de ajudante de Conservador acumulou em 1915 o de representante do Governo na fiscalização das cortiças nos concelhos do Barreiro, Seixal, Moita e Montijo. Passou pela Direcção do Asilo D. Pedro V, do Barreiro (1917). O nosso evocado ficou como um representante da I República na vila, pois também exerceu o cargo de vereador e ainda de Administrador do Concelho em 1924.
Durante muitos anos, A. Figueiras residiu no 1° andar de casa bem central do Barreiro Velho, no Largo Casal, com linda fachada. Essa casa era contígua ao Café da Chic, onde se reuniam tertúlias de intelectuais.
Uma vez  - segundo garantiram a este autor - Alfredo Figueiras foi incluído numa rusga da polícia política. Embora mantendo o cargo de ajudante de Conservador até à reforma,  Figueiras nunca escondeu o seu desacordo com a Ditadura Militar, surgida em 1926, e a República seguinte. Alfredo Figueiras faleceu com 80 anos, no Barreiro, em 14 de Outubro de 1963. Foi pessoa trabalhadora, simpática, que conquistou estima generalizada dos concidadãos.
Há anos, em entrevista ao barreirense Rogério Simões “Guedes”, nascido em 15-8-1924, valoroso jogador que foi de futebol, ouvimos interessante historieta referente a Alfredo Figueiras, que não resistimos a transmitir aqui. Quando Rogério informou, no Registo Civil, que a senhorinha que ele agora iria desposar, habitava, com a família, no Moínho do Jim (ou Gimes), Alfredo Figueiras logo assentou que, por simpatia, os iria casar lá. E assim foi, Figueiras levou a documentação e o consórcio realizou-se no moínho do Jim (ou Gimes), monumento camarro situado à beira do Tejo.
Existe uma mais ou menos conhecida caricatura de Alfredo Figueiras, da autoria do bem jovem Américo Marinho É admirada na primeira página do mensário humorístico O Riso do Barreiro, n° 1, de Dez. de 1930. Em “acto solene” Manuel Figueiras “está proferindo”: “Por ser de sua livre vontade, está realizado o casamento de “O Riso do Barreiro”, com a população do concelho, devendo os cônjuges auxiliar-se mutuamente”.
O jornalista
Alfredo Figueiras começou a escrever para O Mundo, de Lisboa, o tablóide de França Borges. Logo em 1914, o nosso evocado foi nomeado correspondente do grande diário O Século no Barreiro, cargo que iria desempenhar durante décadas. Lá pelos anos 30, tornou-se também  representante, por alguns anos, do Diário de Lisboa no Barreiro. A. Figueiras só abandonou o posto de correspondente d´ O Século meses antes do seu passamento por efeitos de uma congestão. (Este cargo de representante da folha O Século na vila-operária passou para Alfredo Zarcos, outra figura do maior relevo da imprensa local).  
Alfredo Figueiras, no seu cargo, não punha qualquer objecção em registar, para recém-nascidos, nomes próprios “fulgentes”, controversos, como Lenine, Estaline, Vladimiro, que tinham vindo a substituir, no Barreiro, nomes dos tempos dos anarco-sindicalistas como Ferrer, Libertino, Libertário, Liberta. Recorde-se ainda, de tempos anteriores, o incontornável nome Rodasnepervil que - como sempre se ouviu afirmar - era “produto” 100% barreirense. Muitos não desconhecem que aquele quase não pronunciável nome de pessoa, é o “Livre Pensador” redigido ao revés....
Citação: Local n´ O Século de 8-3-1953: ”Homenagem ao sr. Alfredo Figueiras, correspondente do Século no Barreiro”: Passou à situação de aposentado de ajudante de conservador do Registo Civil do Barreiro, o sr. Alfredo Figueiras  ... que atingiu o limite de idade. Por tal motivo, os funcionários da Câmara Municipal que trabalham no edifício dos Paços do Concelho e muitos outros amigos... prestaram-lhe homenagem, oferecendo-lhe um objecto de arte e um copo de água num restaurante... usaram da palavra os srs. Presidente da Câmara que fez o elogio do homenageado, (o notário) Manuel Preto Chagas, Armando Silva Pais ....(etc). O homenageado agradeceu.”.
Citação:: Escreveu alguém em obituário no semanário Jornal do Barreiro em Outubro de 1963:(Alfredo Figueiras) foi uma figura geralmente estimada, porque para todos era atenciosa e sempre disposta a atender qualquer assunto em que pudesse ser prestável. Além disso procurou sempre realçar e tornar bem conhecido o valor do Barreiro, que se tornara para ele, desde a juventude, a sua legítima terra, tanto se lhe afeiçoara e se integrara na maneira de ser dos barreirenses”.