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RAFAEL IDÉZIO PIMENTA  (1850 - 1931)

ESCULTOR, DESENHADOR, XILÓGRAFO, ARTICULISTA

Um grande artista local bastante esquecido é Rafael Idézio Maria Pimenta, que tanto se distinguiu na escultura e na xilografia. Veio ao mundo em 3-1-1850 no Barrreiro  O pai, de boa família, radicou-se na vila ainda esta era essencialmente piscatória e agrícola. O nosso evocado, de uma prole de sete, foi o único com terrível defeito: não falava, não ouvia. Três irmãos notáveis de Rafael foram os barreirenses José Augusto Pimenta (1860-1940), funcionário superior da alfândega e quem primeiro deixou escrita uma história da vila;  incluído no grupo I dos “Vinculados”, João Dias Correia Pimenta (1853-1931), boticário e último Presidente da Câmara do Barreiro do regime monárquico e António Maria Pimenta, funcionário superior dos C.T.T. em Coimbra, pai do Coronel Belizário Pimenta, de quem falaremos mais adiante.   
Rafael Idézio    
O pai de Rafael inscreveu-o na Casa Pia, de Lisboa. De lá passou para a Academia das Belas Artes, onde completou com brilhantismo os cursos de Escultura Estatuária e Gravura em madeira. Iniciou sua profissão na famosa oficina do (espanhol) Francisco Pastor, tornando-se um dos mais insignes artistas escultores (ganhando prémios) e xilógrafos (ou gravadores), naquela época do talhe em madeira. Quando descoberta a zincogravura, a xilogravura perdeu relevância na imprensa. Rafael transitou então para as oficinas tipográficas de “O Século”. Este nosso evocado colaborou para jornais e revistas das mais famosas da capital. Faleceu em Lisboa em 11-7-1931.

 
 
 
 

Coronel Belizário Pimenta

A evocação mais brilhante de Rafael Idézio é, certamente, a da autoria de seu sobrinho, o erudito Belizário Maria Bustorf da Silva Pinto Pimenta (1879-1969). Neste contexto, em Agosto de 1953, este coronel do exército, brilhante historiador militar e publicista, natural de Coimbra, pronunciou nos “Penicheiros”, do Barreiro, uma muito apreciada dissertação-conferência alusiva à gravura em madeira e seu extremo valor na imprensa doutros tempos, e também sobre a personalidade, o trabalho e o legado artístico de seu tio Rafael Idézio.
Naquela 1ª Grande Exposição de Arte por Amadores (residentes no Barreiro), o Coronel Belizário, fez avultar as obras de seu tio. Este foi – como afirmou o conferencista -  “um génio desaparecido”. O texto da dissertação não se perdeu. Citamos uma curta parte dela, respeitando a ortografia original:
“Rafael Pimenta foi um artista que passou a vida quasi obscuramente, entregue a labor cotidiano para ganhar o sustento, sem preocupações de chamar sobre si o reclamo que não fosse além do necessário para trabalhar. Isto é, foi simplesmente um trabalhador honesto e persistente, cônscio dos seus deveres sociais que, verdadeiramente, não passou do que se poderá chamar, sem grande exagero, um proletário.  
Nascido surdo-mudo, esse defeito de natureza impossibilitou-o para melhores destinos; e exactamente por isso o valor da sua obra múltipla tem, para se avaliar com justiça, de ser considerada com tal coeficiente de inferiorização.
Por isso, numa terra como o Barreiro, onde o trabalho e a acção podem constituir o timbre do brazão municipal, a lembrança da vida deste artista deve ser motivo de regozijo e, porque não hei-de dizê-lo, causa de certo orgulho. A consciência do dever social do trabalho como base de sociedade organizada, não é, infelizmente, apanágio de todos; e Rafael Pimenta tinha essa consciência...
O conferencista também se referiu a artistas barreirenses de então, como Manuel Cabanas (também encadernador, onde tinha – como na xilografia - discípulos), Cândido Lopes (retratos a óleo), Belmiro Ferreira (carvões) e outros, em que a sua maioria se reunia no espaçoso Café Barreiro (Rua Aguiar). Esperamos voltar a estes (e a Belizário Pimenta). 
Anote-se que no ano anterior ao evento atrás descrito, portanto em 1952, o Coronel Belizário Pimenta havia editado em Coimbra a publicação “Rafael Pimenta, Gravador em madeira – 1850-1931”. (Vide imagem da capa mais adiante). Naquela lê-se uma “Nota resumida de retratos e grupos” do tão operoso artista. Primeiro surgem os nomes de 63 gravuras onde consta a assinatura de Rafael. Dessas mencionemos, por exemplo, D. Carlos (príncipe, depois rei de Portugal), Camilo Castelo Branco, Santos Dumont (aviador brasileiro), D. Luís (rei de Portugal), D. Maria Pia (raínha de Portugal), Vítor Manuel I (rei de Itália). Depois estão registadas 169 gravuras com a assinatura do “patrão” Pastor, mas da autoria de Rafael. Naquela relação também constam 20 gravuras de Rafael Pimenta sem qualquer assinatura, tal como 8 com grupos, como sejam a família real, Marquês de Pombal num conjunto, a Delegação de Portugal a Berlim em 1885. 

 
 
 
 

Manuel Cabanas

Foi Rafael Idézio Pimenta que, nos anos 20/30 do século passado, inspirou o algarvio e barreirense adoptivo Manuel Cabanas (1902-2002) a lançar-se na arte da gravação da madeira. (Este era um elemento autobiográfico de seu percurso artístico que Manuel Cabanas praticamente não rememorava). Mas aquela decisão de Cabanas de praticar a gravura por talhe – não sendo ele, como se sabe, desenhador de projecção -  fê-lo tornar-se um dos derradeiros grandes mestres da xilografia nacional. Vamos repetir o que trouxemos a público no “Jornal do Barreiro” de 11-10-2002 no âmbito do Centenário do Mestre Manuel Cabanas:
“O primeiro xilógrafo barreirense de nomeada  foi Rafael Idézio Pimenta. Lembramo-nos de uma conversa tida com Manuel Cabanas, anos noventa, lá na Vila Real algarvia, em que nos disse ter chegado a conhecer pessoalmente Rafael Idézio, quando estava ainda bem longe de pensar tornar-se xilógrafo também. Tal encontro ocorrera por ocasião de uma exposição de Rafael Idézio nos (antigos) Penicheiros. Desconhecemos a data de tal evento, que teve lugar logicamente entre 1922 (chegada de Cabanas ao Barreiro) e 1931 (ano da morte de Rafael Idézio)....”. 
Armando da Silva Pais (1914-1975), jornalista, historiador local, bom amigo de Cabanas, também fez o possível para manter bem alto o percurso artístico de Rafael Idézio. Para isso muito contribuiu o intercâmbio cultural mantido com o conimbricense Coronel Belizário. (Vide imagens e anotações a seguir).