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CARLOS DOS SANTOS COSTA (1912-1994)
MESTRE OPERÁRIO, ASSOCIATIVISTA, JORNALISTA

1 – S.D.U.B. (“Franceses”) – O Oriental (C.O.L.)
2 - Jornalista regionalista
3 - “A toponímia do Barreiro – Os nomes esquecidos”, etc
4 - E ainda o sobrinho, guarda-redes Carlos Gomes, etc

Vamos recordar um camarro de gema, que a despeito de ter residido a maior parte da vida na capital, se manteve um devotado e intransigente associativista do Barreiro. Mas não a 100% do Barreiro!... Também foi grande colectivista na parte oriental de Lisboa. Amigos afirmavam-lhe ele “ter um pé no Barreiro, e o outro em Lisboa”. Assim foi...
Carlos dos Santos Costa veio ao mundo em 30 de Setembro 1912  na Rua Serpa Pinto n° 36, a dois passos do Largo de Santa Cruz. Concluída a primária na Escola Conde Ferreira, matriculou-se em 1924 na Escola Industrial Machado de Castro, Lisboa, onde passados oito anos foi admitido como Mestre Operário. Após dificuldades na obtenção de emprego permanente, passou a trabalhar como operário-chefe na Sociedade Nacional de Fósforos. Fixou então residência na capital. Reformou-se na empresa S. N. de Fósforos.

 

1 - S.D.U.B. (“Franceses”) – O Oriental (C.O.L.)

O nosso evocado foi um dos maiores “francesões” de sempre. (Neste contexto, vide foto de retrato emoldurado, com legenda, mais adiante). Seus cargos mais relevantes na Sociedade Democrática União Barreirense foram o de Presidente da Direcção em 1939 (muito ajudando a reatar as relações cortadas, havia anos, com os “Penicheiros”, em especial devido a desavenças originadas nas actividades das Bandas) e Presidente da Assembleia Geral de 1976 a 1994 (!). Nos “Franceses”, ainda no Barreiro, chegou a integrar o Grupo Dramático, onde representou sob a orientação de Herculano Marinho. Assinou textos para teatro.
Em Lisboa tornou-se um dos mais relevantes fundadores da agremiação saída da fusão, em 1946, dos três maiores clubes desportivos da Zona Oriental (o Fósforos, o Marvilense e o Chelas). Surgiu o Clube Oriental de Lisboa, que chegou a disputar a I Divisão de modo muito valoroso. E quantas vezes veio o Oriental, ao Barreiro, defrontar o F.C. Barreirense e o Desp. da CUF... As suas claques, lá no peão, apoiavam o seu clube em uníssono “C.O.L., C.O.L., C.O.L.”, lembrar-se-ão ainda muitos dos que viveram o futebol  daquela época.  

 2 - Jornalista regionalista

Carlos Costa começou a fazer o gosto à pena no semanário “O Barreiro” (que existiu em 1932/1946), depois no “Jornal do Barreiro”. Neste colaborou, mais ou menos regularmente, até à primeira parte parte dos anos 90. No “JB”, durante bom tempo, apresentou suas crónicas com o pseudónimo SOLRAC. Leitores perguntavam-se quem era o autor daqueles belos artigos regionalistas. Seria mesmo um Carlos, ao revés? Até que um dia, outro escrevinhador, revelou nas páginas do “JB”, o verdadeiro nome do SOLRAC. (Era, na realidade, um Carlos ao revés..., que aborrecido ficou quando aquele colega desvendou, no jornal, a sua identidade como autor dos textos. Mas a “coisa” passou depressa...). Ele prosseguiu suas crónicas ainda por muito tempo, assinando-as com o verdadeiro nome. 
Durante anos, o nosso evocado foi convidado de honra para apresentar escritos em números únicos, anuais, de “O Francês” (vide mais adiante), e em publicações editadas lá para os lados de Marvila. E chegou a escrever para os “Penicheiros”. (Isto era como se um ferveroso benfiquista alinhavasse ideias no jornal do Sporting, ou vice-versa...).   

3 - “A toponímia do Barreiro – Os nomes esquecidos”, etc

Fale-se agora da série “Imagens Barreirenses”, divulgada no regime anterior, em que Carlos Costa – ainda o SOLRAC -  trazia a lume tópicos que tinha “muito no coração”. Por exemplo, “sonhava” que no Barreiro fosse erigido um belo monumento, uma Homenagem ao Trabalho. “Sonhava” com uma escola técnica industrial e comercial. (“Sonho” realizado alguns anos depois). “Sonhava” ver o Barreiro imaculado e limpo. O que “requer uma constante ... auto-educação das pessoas de todos os níveis”. De muitos mais “sonhos” e ideias se deixava arrebatar Carlos Costa nos bairros orientais da capital, mas que muito visitava a sua – como escrevia – vila-cidade.

Carlos Costa mais que uma vez defendeu, no “Jornal do Barreiro”, suas opiniões sobre a toponímia local. Como em Set. de 1981, ou em brilhante crónica de Fev. de 1994, de que vamos transcrever mais adiante o primeiro parágrafo. (Mon Dieu, é preciso ter alguma coragem para ser-se assim tão idóneo neste seu torrão-natal. E, ainda por cima, assinando com o próprio nome...). Também vamos reproduzir uma série de nomes de vários cidadãos, então já falecidos, cuja memória – segundo Carlos Costa – deveria ser perpetuada em artérias locais. Citamos:
Por princípio somos contrários ao sistema de retirar o nome a uma via urbana, para lhe pôr outro por qualquer razão. Em nossa opinião, o que está deve-se conservar, para fazer história, que em regra tem sempre o seu quê de lógica. (etc etc). Agora nomes:
José Francisco da Costa Neves, natural da nossa cidade, foi funcionário dos Correios e Telégrafos em Lisboa, e Provedor da Misericórdia do Barreiro durante anos, tendo desenvolvido uma intensa actividade para a construção do primeiro Hospital do Barreiro.
Carlos Ribeiro, natural do Barreiro, foi mestre de Ferreiros nas Oficinas Gerais dos Caminhos de Ferro do Estado, sendo muito estimado pelos seus subordinados.
José Pedro Campos, Alexandre dos Santos Pireza e Januário Delícias Correia, todos naturais desta nossa terra, foram desenhadores dos Caminhos de Ferro do Sul e Sueste. O primeiro foi o autor do projecto da bonita sede dos “Franceses”, nos ano vinte, e de muitos outros edifícios particulares ainda hoje existentes. O segundo foi o autor da actual sede dos “Penicheiros”. O terceiro foi o desenhador de inúmeros projectos particulares de edifícios, numa época em que no Barreiro não havia Arquitectos diplomados para o fazer.
Manuel da Costa Figueira, natural do Barreiro, foi Presidente da Câmara da sua terra, fundador deste semanário do Barreiro, e Director Geral da Comunicação Social, ao tempo do seu falecimento.
Alexandre de Almeida, natural do Barreiro, Meste Geral das Oficinas Gerais dos Caminhos de Ferro do Sul e Sueste. 
Joaquim José Costa (Piruca), natural do Barreiro, foi Mestre das Oficinas de Fundição e de Caldeiraria dos Caminhos de Ferro do Sul e Sueste, e depois da guerra de 1914/18, permaneceu por mandato do Estado, em Inglaterra e Alemanha, alguns anos, como controlador de máquinas – Locomotivas a vapor, como indemnizações de guerra, para os nossos C.F.S.S.
Concernente ao mote da toponímia, Carlos Costa também apresentou, em seus textos, dois ascendentes directos de quem aqui escreve, mas esses não os mencionamos porque, obviamente, “pareceria muito mal”. Outra vez, C. Costa escreveu, em 1981 no “JB”: “Nós os portugueses, somos em regra assim. Temos a tendência para os extremos em tudo aquilo que tenhamos de marcar uma posição, definir uma atitude, expressar por vezes um pensamento, ou reconhecer mérito a alguém...”. Oh, este camarro...
Sobre o tema da toponímia, quem aqui assina voltou, após bons anos, a trocar impressões com Carlos Costa em 1994. O grande barreirense habitava – lê-se nos envelopes - na Rua Capitão Leitão n° 88, em Lisboa. Dum escrito da autoria de outro brilhante, jornalista regionalista de obra feita, João Liberal, citamos cargos directivos, ainda não referidos neste texto, que seu bem conhecido Carlos Costa também exerceu: 1941/46 – Vogal da Associação de Futebol de Lisboa; 1940/56 – Intervaladamente, Presidente da Assembleia Geral e Direcção do Clube Oriental de Lisboa; 1976/1981 – Membro do Conselho Fiscal e também Presidente da Assembleia Geral da Confederação das Colectividades de Cultura e Recreio. Anote-se que em 1987 – lemos -  escreveu uma letra (em versos) dedicada ao Barreiro, a qual foi musicada pelo conceituado maestro António Teixeira e cantada pelo cançonetista Mário Moura, acampanhado pela Banda Musical do Barreiro. João Liberal também apontou que Carlos Costa foi Sócio Honorário da Associaçâo de Futebol de Lisboa, Benemérito dos “Franceses”, recebeu a Medalha Nacional da Federação das Colectividades de Cultura e Recreio e a Medalha do “Barreiro Reconhecido”. Consta na Internet que no Lavradio existe uma Rua Carlos dos Santos Costa.
O nosso evocado foi consorciado – lemos - com D. Alda Ferreira, teve um descendente. O homem pleno de dinamismo, de audacidade digna, íntegro, demonstrando grande amor à sua terra natal, fechou os olhos para sempre, com 82 anos, em 18 de Outubro daquele 1994. Por disposição do falecido, o seu funeral saiu para o cemitério da Vila Chã, Barreiro. A urna foi coberta – segundo lemos - com as bandeiras dos “Franceses”, do Clube Oriental de Lisboa e da Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura e Recreio.             
4 - E ainda o sobrinho, guarda-redes Carlos Gomes, etc
Em conversa de café disse-nos um dia o ferroviário Manuel Cabanas, meste de xilografia, que o pai de seu amigo Carlos Costa fora o João “da Elisa”, oficial das oficinas dos C.F.S.S., que fora casado com a filha de José Ferreira, chefe de repartição também dos C.F.S.S.. Anotámos,  o que certamente “baterá certo”. Carlos Costa, era cunhado do ferroviário Sebastião Gomes, o progenitor de Carlos Gomes (1932-2005). Quem viu Carlos Gomes entre os postes não o poderá ter esquecido, o portentoso guarda-redes, para muitos o melhor da história do desporto-rei nacional. O afamado barreirense - também pela sua inusitada irreverência – arrancou para o desporto-rei no campo do Rossio, o terreno do F.C. Barreirense, seguiu para o Sporting Clube de Portugal (onde tirou o lugar ao épico guardião - também barreirense - João Azevedo), envergou por 18 vezes a camisola das quinas na selecção A, em Espanha defendeu as cores do Granada e do Oviedo. Quando voltou a Portugal, continuou a fazer das suas, o que levou o Sporting a cedê-lo ao Atlético. Neste clube, no intervalo dum jogo oficial escapou a detenção não política, atravessou a fronteira a monte, fez percurso em países norte-africanos, regressou a Espanha, viveu alguns anos em Viena de Áustria. Por último, Carlos António do Carmo Costa Gomes regressou ao seu Barreiro, faleceu quando internado na Misericórdia.