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Artur Baeta (1912-1999), mestre, pedagogo do futebol

1 – Início no F. C. Barreirense
2 – Campo da Constituição – Escola de Futebol Artur Baeta
3 – Jornalista desportivo
4 – No Barreiro: adueiro, figura do teatro

 
 

Reporta-se aqui sobre um Senhor do desporto-rei português. Artur Baeta nasceu no Barreiro em 29 de Julho de 1912, na casa da Rua Aguiar onde morava a família. O pai era natural de Pampilhosa da Serra, a mãe de Estremoz. António Baeta - o progenitor, falecido no Barreiro em 1957, com 82 anos - foi durante muitos anos comerciante na vila-operária, com a primeira loja na Rua Aguiar. (Onde mais tarde surgiu o Bar da Baía).   
Artur Baeta era aluno da 4ª classe da Escola Conde Ferreira (tendo como mestre o Prof. Vicente França) quando seu pai adquiriu, a preço “bastante em conta”, um terreno no cruzamento, a poente, da Av. da Bélgica (hoje Alfredo da Silva) com a Rua Vasco da Gama. Instalou lá taberna, pensão, depois mercearia e casa de comidas (fornecia para fora). Nas traseiras existia espaço para as carroças e os animais dos comerciantes que vendiam no mercado 1° de Maio.
O nosso evocado completou o curso comercial  na Escola do Castelo, Lisboa, tornando-se, pouco depois, funcionário público, primeiro em Lisboa, a seguir em Coimbra, Covilhã, Torres Vedras. Por fim esteve activo no Porto até à reforma aos 65 anos. Residiu muitos dos últimos anos na freguesia da Senhora da Hora, concelho de Matosinhos, onde faleceu em 29 de Janeiro de 1999. Desejou ser sepultado no Barreiro, a terra natal.

 
   
 

1 - Início no F. C. Barreirense
Artur Baeta tornou-se um grande produto das escolas de futebol do F. C. Barreirense, não como atleta, mas sim como técnico, treinador da modalidade. Iniciara sua actividade no futebol com o Boavista, clube popular da Rua dos Combatentes, no Barreiro. Passou para o F. C. Barreirense, que representou oficialmente até aos 18 anos, nas reservas, mas mostrou-se futebolista de craveira média. Dedicou-se também ao Império, chegando a Presidente. Durante o seu mandato, este clube da Rua Aguiar / Largo das Obras começou a disputar campeonatos regionais de futebol. E, em 1936, Baeta organizou o I Torneio Popular do Barreiro e o I Torneio de Atletismo. (No Barreiro existiam 34 clubes populares!..). Este nosso recordado também pertenceu a Corpos Gerentes do F.C.Barreirense: 1° secretário em 1936/37 (Presid.: António Cabrita, pai de quem se tornaria Mestre da Fotografia) e vogal em 1940/41 (Presid.: José Covacich Costa).
Em 1940, Artur Baeta absolveu em Lisboa o primeiro curso oficial de treinador (sob a condução de Cândido dos Reis). Formou, no Barreirense, uma activa Escola de Jogadores, incluindo – o que não era comum na época - jovens de 15/16 anos. Foi o primeiro no Barreiro a dar grande relevo às aulas teóricas.
Da sua escola começaram a brotar óptimos valores, como os irmãos Manuel e José Jordão, Rogério Fontes, João Chitas. Também nela participou o seixalense Albano, o “Zé Broa“, um dos futuros „Cinco Violinos“ do Sporting. (Que depois sempre se “esquecia” de afirmar que o Barreirense foi o primeiro clube que representou oficialmente, nos juniores...).
Baeta assumiu-se um homem impecável, moderno, que sempre se patenteou “avant la lettre“, célere, de vida trepidante. Ainda nos anos trinta, com os transportes públicos mais que insuficientes e os táxis raros, ele encarregava-se amiúde, na sua famosa mota, em enorme velocidade, de ir buscar jovens residentes nos arredores para actuarem nas suas equipas. Tais como Albano, ao Seixal, ou José Marques “Padeirinho“, a Santo António da Charneca.   
Quando Artur Baeta estava deslocado em Torres Vedras aceitou treinar as primeiras do Barreirense de Janeiro de 1945 até ao final da época. Classificou-se em 2° lugar no distrital (a um ponto do Vitória de Setúbal). O maior êxito dessa época foi ter derrotado o Benfica por 2-0 no Rossio, no primeiro (e único) “Dia do Benfica no Barreiro”. Nessa data (29-4-1945), os benfiquistas - recebidos por muitos em Coina - exibiram-se no Campo do Rossio em várias modalidades desportivas.

 
 
 
 

2 – Campo da Constituição – Escola de Futebol Artur Baeta

Transferido profissionalmente para o Porto, Artur Baeta intensificou a sua actividade de técnico do futebol. Passou pelo Guimarães, Estarreja, Beira-Mar, Varzim, Feirense, Boavista. Em 19-6-1960, como técnico do Salgueiros, foi derrotado na finalíssima da 2ª Divisão contra o Barreirense, em Leiria, por 0-1. O futebol do Aves e da Oliveirense também estiveram sob as suas directrizes.

Foi, porém, no F. C. Porto, a partir de 1963, que as suas enormes capacidades de formação profissional adquiriram o mais elevado prestígio. Fundou lá mais uma escola, por onde  passaram gerações de futuros ases portistas (incluindo, p. ex., Fernando Gomes). Possuiu um gabinete próprio, com subordinados, como o internacional Feliciano, uma “Torre de Belém”. O velhinho Campo da Constituição passaria a ser designado oficialmente por Campo da Constituição – Escola de Futebol Artur Baeta (o que consta na Internet...). Isto demonstra, só por si, o enorme reconhecimento do F. C. Porto pela obra de vulto do barreirense Artur Baeta com as suas camadas jovens. Ainda hoje, se realizam, no Norte do País, torneios de futebol juvenil (e de veteranos) com a denominação de Taças Artur Baeta (o que também pode ser lido na Internet).  

Por quatro vezes, o nosso rememorado chegou a desempenhar as funções de treinador das equipas principais portistas, substituindo Pasarin, Taioli, Kalmar e António Teixeira. Exerceu o cargo de técnico principal em digressão ao Brasil, quando o F. C. Porto derrotou o Vasco da Gama, no Maracanã. Que não fique olvidado que Artur Baeta também foi monitor de cursos de treinador na Federação e que integrou delegações nacionais à UEFA.
3 – Jornalista desportivo
Artur Baeta revelou-se um perspicaz, por isso muito apreciado jornalista desportivo. Na imprensa começou a redigir no semanário “O Barreiro" (anos 30), foi correspondente do “Atleta“, assinou crónicas no “Mundo Desportivo“. Quando se transferiu para o Norte passou a colaborar, entre outros, no “Norte Desportivo e no “Jornal de Notícias“.

 
 
 
 
 
 
 

4 – No Barreiro: adueiro. figura do teatro

Artur Baeta sempre pôs à prova, desde a juventude, élan e espírito de iniciativa. Já no princípio dos anos 30 foi um dos dois fundadores dos adueiros barreirenses (organização juvenil fundada no Norte do País, que competia com os escuteiros - os scouts - instituídos, de começo, em territórios de língua inglesa). O emblema dos adueiros era o trevo de três pétalas. O dos escuteiros era, e é, como bem se sabe, a flor-de-lis.
Os adueiros barreirenses formaram o Grupo 41, dependente dum Adaíl, em Lisboa. Tiveram duas sedes: na Travessa da Misericórdia (onde fora uma tipografia) e depois na Rua Miguel Pais, no prédio da Mercantil. (Onde boas décadas depois esteve instalado o PPD/PSD). Muita ginástica se praticava nos adueiros (tinham instrutor militar), compunha-se a “embriagante” torre humana, marchava-se em formação, fardados, por vezes ao longo de quilómetros até às localidades vizinhas, participava-se em festivais. A madrinha (e benfeitora) da organização foi a Dª Cristina Reynolds, da Quinta dos Braamcamp. Na vila, os adueiros só se dissolveram quando aqui surgiram os escuteiros do Padre Abílio, a partir de 1936.
Em jovem, Artur Baeta também esteve estreitamente ligado ao teatro amador da vila natal. Já em 1930 participou na comédia “O Conde Barão“ no Clube 22. Foi um “francês“ de coração. Em Outubro de 1935, contava portanto apenas 23 anos, fez subir à cena nos Franceses a revista  “Lábios Pintados“, de que foi autor (!). Participaram actores dos mais conhecidos na terra, como Viriato de Almeida, Eduardo Varandas, Augusto Quintino “Catapirra”. Tremendo sucesso teve “Moleiro de Alcalá“, no Teatro Cine, onde Baeta foi protagonista. Até organizou vários espectáculos de benefício para o Asilo D. Pedro V, também em colaboração com Mário Solano “Lá-Vai”. Citamos uma das últimas senhoras que o viu representar: “Artur Baeta era um charmoso. Recordo-me de vê-lo várias vezes em palco no Clube 22, com voz e dição óptimas. Contracenou, por exemplo, com Luís de Carvalho, Sebastião Gomes [pai do guarda-redes internacional Carlos Gomes] naquelas peças de tiradas bombásticas  tão em voga na época“.
Os progenitores de quem aqui assina mantiveram amizades de juventude com Artur Baeta. Nossa mãe, Maria de Lourdes, acompanhou algumas vezes, ao piano, este evocado no palco, em revistas e peças. Este escrevinhador entrou em contacto (longínquo) com este nosso evocado em 1997, o que muito útil se tornou para esta crónica biográfica, em especial no tocante à vertente barreirense. O grande vulto que residiu, por fim, boas décadas, no Norte do País, afirmou-nos ao telefone: “Sou do Barreiro, gosto dele,  não renego a minha terra“.

Artur Baeta foi realmente um modelo impulsionador do futebol, sempre adiantado na formação, sempre moldando o carácter dos seus discípulos, em suma, um autêntico pedagogo. E também figura da cultura. Segundo julgamos saber, o nome desta glória do nosso desporto não faz parte do toponímia do Barreiro. Que dizer a este outro caso? Aqui fica a nossa singela homenagem a Artur Baeta.