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Padre Francisco dos Santos Costa (1920 - 2000)

Prior, professor de religião, jornalista, escritor

1  - Formação, percurso sacerdotal - Professor de religião
2 – Pároco no Barreiro
3 – Bibliografia – Temas barreirenses, outros temas
4 - Jornalista – No Barreiro, fora do Barreiro
5 – A estátua do Padre Abílio Mendes no Barreiro
6 – O passamento - Uma vida cheia

Pretende-se aqui rememorar o Padre Francisco dos Santos Costa, vindo ao mundo em 27 de Março de 1920 na aldeia de Rodrigos. Como seu pai, agricultor, e sua mãe, mestra particular, era natural do concelho de Torres Novas.
Foi figura de muito relevo como pároco do concelho do Barreiro, de Dezembro de 1954 a Novembro de 1966. Também se assumiu um sacerdote publicista, que muito amou as letras. (Nota: Abalançamo-nos a evocar aqui, pela primeira vez nestes “Vinculados ao Barreiro”, um vulto da Igreja. Foi nosso privilégio estarmos em contacto com o Pe. Francisco durante três dos seus últimos anos de vida, entre 1997 e 1999, também com o intuito de actualizarmos o nosso ficheiro quanto à sua extensa bibliografia. Trocámos telefonemas e cartas. (Vide exemplos em anexo). Naquele período o – como ele nos acentuou - “torrejano de alma e coração” residia em Fátima. Também teve a gentileza de preencher extenso questionário que lhe enviáramos, o que facilita o presente trabalho biográfico. (Vide uma folha em anexo). Também nos fez chegar um exemplar da maioria dos seus volumes de que ainda não dispúnhamos. (Alguns deles – viemos a constatar – não têm qualquer original na Biblioteca Nacional, o que é muito de lamentar).

 
 
 
 
  1. -   Formação, percurso sacerdotal – Professor de religião

O nosso evocado fez a primária em Carvalhal, Torres Novas, completou os estudos nos Seminários de Santarém, Almada e Maior de Olivais (1932-1943). Ordenou-se em 29 de Junho de 1944.  Desempenhou o cargo de professor no Seminário de Santarém.
Após o Barreiro foi, de 1966 a 1978, Pároco de Carnaxide (Igreja de São Romão), Linda-a-Velha, Santuário da Senhora da Conceição/Rocha. Seguidamente, até 1990, exerceu o posto de Capelão do Hospital de São José e dos outros 6 hospitais civis. Em 1991 foi fundador-capelão do Centro de Deficientes Profundos, da União das Misericórdias Portuguesas, Centro João Paulo II. (Para além de responsável bibliotecário, como fez questão de nos frisar). Quando da sua morte no ano 2000 ainda era capelão deste Centro. Mas que percurso, Mon Dieu...
Ao longo do sacerdócio foi professor de religião em bom número de escolas, como fossem  a Eugénio dos Santos, Normal de Lisboa e Liceu Passos Manuel, também de Lisboa. No Barreiro leccionou  algum tempo no Externato Barreirense (Ref.: Prof. José Rita Seixas) e uns bons anos na Escola Alfredo da Silva.
2 – Pároco no Barreiro
O coadjutor Pe. Albino Lopes (natural de Sarilhos Grandes) deixou o Barreiro em Dezembro de 1954. Chegara o novo pároco, Francisco dos Santos Costa. Este não cuidaria apenas do seu ministério propriamente dito. Por exemplo, movia céus e terra a fim de que os templos e outras instalações da Igreja em todo o concelho do Barreiro fossem sujeitos às renovações há muito requeridas. Prestou insuperável contributo para a abertura de novos locais religiosos. Em boa parte conseguiu o seu desiderato, com a ajuda das autoridades eclesiásticas e civis. Não esqueçamos a sua acção nas Casas de Deus e nas então chamadas “Casas para os Pobres“
Até Novembro de 1966 (última missa em 6 de Nov.) decorreram 12 anos de entrega absoluta. Ao invés de outros eclesiásticos que passaram pelo Barreiro, o Pe. Francisco não se apartou para sempre da vila-operária, fosse pelos amigos, colaboradores e conhecidos que nela deixou, com quem manteve contacto, fosse pelos textos que ia escrevendo para o semanário local.

 
 
 
 

3 – Bibliografia – Temas barreirenses, outros temas

O nosso biografado ribatejano assumiu-se um publicista barreirense. Entre os, pelo menos, 20 livros que deu à estampa, três foram dedicados ao Barreiro. O título da primeira obra (“livrinho”, como o autor gostava de dizer) intitulou-se “Rodrigos, meu torrão natal” (1953), que escreveu com muita ternura e teve segunda edição, bem ampliada, em 1996. (Vide nótulas sobre a bibliografia em anexo). Os segundo, terceiro e quarto pequenos tomos (vide anexos) disseram respeito a temáticas barreirenses:
A - “Uma vida cheia” (1957): Chegado ao Barreiro o Pe. Francisco sentiu-se seduzido pela personalidade do Pe. Abílio Mendes, falecido não havia dois anos. Logo no terceiro aniversário do óbito, o Pe. Francisco dedicou “Uma Vida Cheia” à sua memória.
Quanto a dados biográficos... Aconteceu que Abílio Mendes, já sacerdote, foi alvo de ataques de cidadãos jacobinos no princípio da “democrática” I República. Decidiu então emigrar para Terras de Santa Cruz, Brasil, onde viviam familiares seus. Prosseguiu a vida sacerdotal em Aracajú, capital do nordestino Sergipe. Com o novo regime em Portugal retorna à Pátria. Foi a sorte do Barreiro, onde ele exerceu o cargo de pároco durante 21 anos! No livrinho “Uma vida cheia”, o Pe. Santos Costa escreveu sobre o seu antecessor: “ a sua nota dominante ... eram os riquíssimos predicados naturais de coração”. A morte colheu o Pe. Abílio no Hospital de S. Luís, Lisboa, em 23 de Fevereiro de 1953. (Deverão mencionar-se aqui os escuteiros católicos que o Pe. Abílio criou com tanto amor e sucesso no Barreiro em princípios de 1936).  
B - “Reparando o passado e prevenindo o futuro” (1965), quase 80 páginas, com o subtítulo “A propósito da nova capelinha a S. Pedro de Alcântara da Penalva”. Os três capítulos denominam-se: “Penalva e a sua Capela”; “São Pedro, Glória do nosso Passado”; e “Conventinho de N. Senhora dos Prazeres (Palhais – Barreiro)”.
C - “A Irmandade da Senhora do Rosário e a sua Capela” (1966). O Pe. Francisco, como capelão que era da Real Irmandade de N. Sra. do Rosário, não quis deixar o Barreiro sem escrever um livro a respeito dela. Na obra de quase 100 páginas, letra miudinha, manifestou a intenção de divulgar algo para lá do que haviam deixado escrito, sobre o tema,                                   os historiadores locais José Augusto Pimenta (1886) e Armando Silva Pais (1965).  
São mais de 90 páginas, com o subtítulo “Subsídios para a História Integral do Barreiro”. Os quatro capítulos chamam-se: “I - Providenciais ocorrências ou de como surgiu e vive a Real Irmandade do Rosário do Barreiro”; “II – As várias fases duma carinhosa obra – Capela do Rosário”; “III - Rosário um nome nascido da alegria que se difunde ao longo dos tempos”; “IV – Devocionário”, com ladaínhas, consagrações, oração, hino, etc.
No capítulo I, o mais extenso, o autor narra sobre documentos, incluindo livros de actas. Relembra, com pormenores, numerosas Festas / Festejos anuais em honra de N. Senhora do Rosário. São referidos irmãos e suas Comissões. É de largo interesse religioso-histórico o muito que se pode ler sob “Imagem de Nossa Senhora do Rosário (Regresso Definitivo)”.

 
 
 
 

Outros volumes

Fora do Barreiro, o nosso evocado publicou uma trilogia histórico-religiosa (1984/89). Os outros volumes também debatem temas biográficos e monográficos. Em 1997 fez sair, em separata de “O Nabão”, um belo livro dedicado a D. Leonor e à arte iconográfica das Misericórdias.
Ainda em 1998, o Pe. Santos Costa co-assinou, em comissão, um livro homenageando o “Pequeno Grande Homem dr. António Alves Vieira”, o insigno torrejano que foi, entre muita coisa, Presidente da Câmara local e do Clube Desportivo de Torres Novas. Foi um grande obreiro e benemérito que denominaram “o Amigo dos Pobres”. Porém, muito atacado no período do PREC, chegou a ausentar-se de Torres Novas. Retornou, faleceu em 1985. Foi-lhe erigida uma estátua e o  Estádio Municipal de Torres Novas passou a ostentar o seu nome. 
Curiosamente, o Dr. Alves Vieira está ligado ao Barreiro por ter reforçado o Clube Desportivo torrejano, nas décadas de 40 a 60, com futebolistas barreirenses de bom nível, alguns a rondar a veterania. Foram eles, entre outros, José Jordão, os irmãos Viriato e Henrique “Valadares”, Alberto Morais, Severo “Roleta”.   
4 - Jornalista – No Barreiro, fora do Barreiro
Citamos duma carta por nós recebida: “Ainda como pároco de todo o antigo concelho do Barreiro (freguesias de Santa Cruz/Vila, Sta. Margarida/Lavradio e Sra. da Graça/Palhais) criei o Boletim Paroquial intitulado Santa Cruz, com regularidade desde o Natal de 1960 às festas de Agosto de 1966, sendo a cinco cores”.
O Pe. Santos Costa esteve fortemente ligado ao semanário “Jornal do Barreiro”, (citamos) “ao longo de 235 números”, com várias missões, por último director/administrador de Agosto 1964 a Outubro  1966, sendo substituído, como director/editor, pelo pai de quem aqui escreve.
Respigamos de uma missiva: “Colaborei no ex-“Novidades”, e ainda ... na “Voz da Verdade” (diocesano),  “Notícias de Ourém”,  “Imparcial” (Fátima), “O Nabão” (Tomar),  “O Almonda” (T. Novas). Assinava ou assino P.F.C., P.S.C., P.F., R.S.F. e ultimamente F.T.F., que quer dizer Francisco de Torres e Fátima.

 
 
 
 
 
 

5 – A estátua do Padre Abílio Mendes no Barreiro

Mal chegado ao Barreiro, o Pe. Santos Costa logo se apercebeu da admiração, do agradecimento, que (grande parte) do Povo barreirense nutria pelo cónego seu antecessor. O funeral do Pe. Abílio em 25 de Fevereiro de 1953 foi a mais impressionante manifestação de pesar que o Barreiro conheceu.
Realmente, era uma ideia generalizada de que se devia erguer na então vila uma estátua ao Pe. Abílio Mendes. (Das autoridades, era certo, não chegariam os capitais necessários). Porém, dois homens de acção uniram-se para a realização dum projecto, que resultou muito bem sucedido. Fala-se do Pe. Santos Costa, que envidou os maiores esforços junto das autoridades respectivas. E também do mestre Carlos (Ribeiro da Silva), que geriu a subscrição pública. Em 25 de Maio de 1959 foi inaugurado na Praça de Santa Cruz, com grande aparato, um atraente monumento a um homem de bem, o prior Abílio. Foi a primeira estátua de via pública que se ergueu no Barreiro em honra duma personalidade.
Conhecemos umas linhas escritas à mão pelo próprio Pe. Santos Costa nos princípios de 1998, em que relata um caso veramente triste para ele. Citamos duma carta : “Imagine que justamente há pouco promoveram a memória do gigante Padre Abílio (de que quase que apenas o seu saudoso pai e eu defendemos e projectámos na História) e nem água vai disseram a quem com o mestre Carlos, fiscal das obras camarárias do meu tempo, percorremos todos os comércios mesmo tabernórios para lhe levantarmos aquela estátua feita pelo meu colega-professor Joaquim Correia, mas nem amostra de referência, indirecta sequer…” (fim da citação). O Pe. Santos Costa, por fim algo magoado com crentes barreirenses, não viveria, em 2003, os 50 anos da morte do Padre Abílio.

 
 
 

6  - O passamento - Uma vida cheia

O Reverendo Padre Santos Costa fechou os olhos para sempre em 6 de Abril de 2000 em consequência de desastre rodoviário. Quando de tal fomos informado, telefonámos de imediato para o Centro João Paulo II, Fátima, de onde nos informaram. O Pe. Francisco regressara havia pouco duma peregrinação à Terra Santa. Um dia, como tantas vezes, pegou na sua malinha e pôs-se a caminho de Torres Novas. O desastre terá ocorrido na estrada, em Moitas Venda. Ia só a conduzir, mas não terá sido o culpado do acidente. Foi internado no hospital local, mais tarde transferido para Santa Maria, voltou ao hospital de Torres Novas, onde faleceu 4/5 dias depois. Sofreu muito. Já comprara a sepultura. A seu pedido está sepultado em Fátima. Há tempos legara os seus muitos livros à biblioteca daquele Centro fatimense.
Procurámos um católico barreirense que -  sabíamos - não fora o único a ter arrufos com o Pe. Santos Costa no Barreiro. Respondeu-nos, reflexivo: “Sim, tivemos diferenças. Era homem trabalhador, de forte personalidade, gostava de ter sempre razão. Morreu como um santo”. Hoje há ainda quem se lembre dele como “austero”, “rígido” e “conservador”.
Sim, o “torrejano de alma e coração“ tinha temperamento bem diferente daquele do Padre Abílio Mendes, que ele tanto admirara. Mas, tal como este, viveu UMA VIDA CHEIA. Não só ensinou muito a Voz do Senhor. Foi homem de enorme dinamismo. Ocupou-se muito dos desvalidos e dos deficientes. Dedicou-se a numerosas obras da Igreja até idade provecta. Não esquecendo nunca, os “livrinhos” e os periódicos. Foi daqueles que pouco descansou.