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Plínio Sérgio
Herculano Marinho
Augusto Gil
Francisco Casal

VINCULADOS I

 

GRUPO I

 

GRUPO II

 

GRUPO III

 

GRUPO IV

 
5 - O FILÃO DO BARREIRO

O SPORTING e o BENFICA muito beneficiaram do “FILÃO” do Barreiro.

Pode afirmar-se - na generalidade - que nos anos 30, 40, 50, as “canteras” do Barreiro (passe o espanholismo) encontravam-se na máxima laboração, enriquecida com a actuação de numerosos clubes populares. A actividade futebolística dos clubes de bairro (ou de rua) foi diminuindo nos dois decénios seguintes e minorando mais acentuadamente a partir dos anos 80. E ia acontecendo, p. ex., que – ao contrário de outros tempos - nas primeiras categorias do F.C.Barreirense, os naturais do Barreiro iam-se tornando sempre em menor número.  
Neste escrito vamos passar em revista futebolistas de cunho barreirense que, na História já um tanto passada, foram deixando as colectividades do Barreiro  a fim “abastecer” os “dois maiores” de Lisboa. E decidimos memoriar atletas que – segundo nos afiançaram – já pagaram tributo à vida!.. (Assente-se que estas linhas foram redigidas em meados de Fevereiro de 2010).
Quando Júlio de Araújo publicou em 1927 o atrás aludido artigo n´ “O Barreirense” já os “pesqueiros” do Barreiro tinham começado a fornecer uma ou outra “truta” futebolística a clubes da outra margem do Tejo. Júlio Araújo fora o primeiro desportista da bola do Barreiro a passar para o Sporting e Júlio Miranda o primeiro da mesma procedência a aportar no Benfica. Em jornal local de 1926 lê-se que Júlio Miranda (então já em Lisboa) estava indigitado para vir treinar o Barreirense. Mas foi o metódico engenheiro luso-alemão Augusto Sabbo que – no princípio de 1927 - passou a ocupar o comando técnico do F.C.B., introduzindo o seu sistema de “triangulação”. Sistema este que se salientaria durante bons anos, e que muitos denominavam “A Escola Barreirense”.  
Muito em especial recordamos aqui o jogador de alcunha local “Tétas”. O S.L.Benfica foi o primeiro clube a dispender capitais para angariar a assinatura dum futebolista do Barreiro. Foi ele, precisamente Constantino Silva, o “Tétas”, do Barreirense, ferroviário, que actuou no primeiro team das “águias” em 1920/21.  (Vide em anexo, a única imagem que conhecemos dele. De Júlio Miranda não possuímos nenhuma).  
Mas Tétas logo tuberculizou, definhando atrozmente pelo Barreiro até entregar a alma ao Criador. Um grande futebolista foi ele – recordou-nos um sabedor – brilhando no notório (antigo) posto – assim denominado - de halfback-centro, que exigia intensa movimentação.
Boa parte dos atletas a seguir mencionados foram produto das escolas do F.C.Barreirense. Daremos relevo aos que envergaram a ”camisola das quinas”. Tantas velhas glórias do nosso futebol... Presta-se-lhes aqui homenagem, a todos, também aos que ficarão por mencionar. Honraram o Barreiro, a terra que chegou a constituir – escreveu-o alguém – como que um “estandarte de honra” do futebol nacional. Fizeram parte do “filão” do Barreiro...

IDOS PARA O SPORTING C. P. (vide anexos).: O primeiro ás do futebol barreirense a radicar-se no Sporting foi Manuel Soeiro (em 1933/34), que já tinha atingido a internacionalização pelo Luso F. C. contra a Jugoslávia, em 1932. Nos leões, M. Soeiro tornou-se por várias vezes o melhor marcador dos campeonatos. Vieram juntar-se-lhe o malabarista Pedro Pireza (produto do F.C.B., que em 1930 disputara no Marrocos o primeiro encontro internacional B), João Azevedo (principiou no F.C.B. como suplente de Francisco Câmara, em 1933/34, passou para o Luso, transitou para o Sporting onde se manteve ao longo de 17 épocas, tendo-se sagrado 7 vezes campeão nacional) e Armando Ferreira (F.C.B.). Formaram um “quarteto”(!) leonino de naturais do Barreiro, ao longo de quatro épocas (1939/1943). Depois chegaram mais dois épicos: Manuel Vasques (CUF, o “Malhoa”, ou o “Galgo de Raça”, um dos “violinos”) e Carlos Gomes (F.C.B., que depois do Sporting e da selecção muito se evidenciou em dois clubes espanhóis). Nas primeiras do Sporting também actuaram Eliseu Cavalheiro (F.C.B.), o palmelense Wenceslau Gomes da Costa (F.C.B.) e Manuel Gervásio (F.C.B.). Outro notável guardião (camarro) chamou-se Libânio Avelar (CUF, Vit. Setúbal, que se sagrou campeão nacional pelo Sporting em 1961/62 e - na II Divisão - pela CUF e pelo F.C.B.). Actuantes nas reservas foram, entre outros, Henrique Almeida “Valadares” (júnior da CUF, que se passou para o Sporting, F.C.B., neste também activo como massagista), Armindo de Carvalho (F.C.B., Luso, depois Sporting, por fim demandou Nova Lisboa/Angola).
Um caso excepcional foi o de Albano Pereira. Graças ao pedagogo do futebol Artur Baeta, o seixalense Albano estreou-se no Barreirense, onde ajudou a conquistar o distrital de juniores de 1938/39. Jogou depois na terra natal já como sénior, transferindo-se para o Sporting, onde se tornou um dos lendários “Cinco Violinos”.
Mas os “violinos” do Sporting foram “seis”, não “cinco”. Isto, se se considerar as vezes que o barreirense Armando Ferreira jogou com, ou em substituição do mais jovem Jesus Correia, isto durante as quatro épocas 1945/49. (Jesus Correia era atreito a lesões e, como bem se sabe, assumiu-se também titular da nacional de hóquei em patins). E neste contexto diga-se que Armando Ferreira, se distinguiu como o primeiro seleccionador nacional de futebol nado no Barreiro. Além disso, assumiu, por três vezes, o cargo de treinador dos leões e actuou também como ... “espião” junto dos próximos adversários estrangeiros.
Na temporada 1943/44, o Sporting apresentou várias vezes 4 ex-F.C.B. em jogos oficiais, que foram Azevedo, Armando Ferreira, Eliseu Cavalheiro e Albano. E, em 2 encontros da mesma época, nada menos de 5 ex-F.C.B. (!) defenderam as cores do clube, quando àqueles 4 se juntou a velha glória Pedro Pireza na sua última época leonina. 

IDOS PARA O S. L. BENFICA (vide anexos): Álvaro Pina (internacional pelo Barreirense contra a Espanha em 1930, no Porto), António Vieira, o “Tó Francês” (moitense, iniciou-se no F.C.B. com 19 anos, em 1931, seguiu para o Vit. Setúbal, elevou-se bem alto no Benfica em 1936/39), Raúl Baptista (F.C.B., que em 1935/38 ajudou o Benfica a conquistar os três primeiros campeonatos máximos em sucessão, o primeiro trio encarnado deste tipo, no posto de médio-direito), Francisco Batista “Nina” (F.C.B., 1938/41 a médio-direito), Francisco Eloy (de Alhos Vedros, surgido no F.C.B), Manuel Jordão (F.C.B., que se retitou cedo devido a terrível doença), Francisco Moreira (F.C.B., águia de 1944 até 1954 (!), o veterano que se sobrepunha a jovens e que, para o final,  chegou a ser “intitulado” de “Pai Natal”), Arsénio Trindade (F.C.B., o veloz supergoleador dispensado aos 29 anos pelo Benfica ao Desp. da CUF, onde saiu vencedor da Bola de Prata em 1957/58, o troféu para o melhor marcador da I Divisão), José Clímaco (Luso), José Luís (Florêncio, F.C.B., de regresso do Benfica representou a CUF), José Gomes (Luso, o esquerdino rápido, de volta do Benfica passou para o F.C.B., onde veio a laborar como contínuo na Sede), Félix Antunes (CUF do Barreiro, CUF de Lisboa, o defesa-central brilhante e possante, de técnica virtuosa, que - quando benfiquista - viveu um muito falado caso num encontro contra o Vitória em Setúbal), Rogério Contreiras (iniciado no F.C.B. o seguro guarda-redes alentejano), Eduardo Corona (Lavradiense, Luso, brilhou no Benfica como ponta-direita rápido e lutador), Rogério Fontes (F.C.B., coriácio defesa-esquerdo).
Realce bem especial vai para o ribatejano Manuel Bento (do F.C.B. para o Benfica, o magnífico guardião que também ocupou o cargo de capitão do team de honra e da selecção (!). Entre os que não actuaram oficialmente nas primeiras do Benfica relembremos Costa Fernandes “Zé Ruço” (ex-CUF), José Vaz “Palrão” (ex-CUF), Francisco Lima “Bananim” (Sport Lisboa e Barreiro, da Rua Aguiar, depois do Benfica, Belenenses e outros clubes, que obteve sua alcunha em garoto porque vendia e apregoava guloseimas, também às portas dos cinemas). E Álvaro Gião, ecléctico, outro barreirense de gema, hoquista no Luso, depois F.C.B, que subiu às segundas categorias do futebol benfiquista, mas desistiu desta modalidade. Manteve-se na prática do hóquei em campo, modalidade em que se tornou o praticante mais representativo do país. Por fim dedicou-se bastante ao jornalismo desportivo.
A propósito: o Benfica sagrou-se campeão nacional de 1949/50 com cinco atletas feitos no Barreiro (!): Félix “Pantufas”, Moreira, Arsénio, Corona e Contreiras. Constituia - lia-se na imprensa - a “Embaixada do Barreiro” ou a “Quinta Coluna” (vide o anexo final). E, com os mesmos cinco jogadores, apresentou-se o Benfica na Taça Latina de 1950, em Lisboa, o primeiro torneio internacional oficial conquistado por uma equipa portuguesa de futebol. Demasiado para uma localidade só? Bem, o que aqui se apresenta é apenas uma análise reduzida. E quanto aos outros atletas feitos nas escolas do Barreiro, que defenderam as cores do Belenenses, dos Unidos (CUF) de Lisboa, do Atlético (e do Carcavelinhos), de clubes da zona oriental de Lisboa, do Alentejo, Ribatejo, do Norte do país, de Angola? Foi um plêiade grandiosa, cuja memória não poderá ser metida numa gaveta...  Pelo menos desejamos contribuir um pouquinho para que não seja.
UM À PARTE (OS “ACTORES” DA BOLA) - Em anexo, inserimos imagens de quase todos os antigos futebolistas que acima se mencionam. Algumas das fotos utilizadas foram divulgadas há decénios em cromos da bola. Mas – atenção! – no Barreiro, em tempos que já lá vão há muito, em vez de cromos, dizia-se “actores”. Portanto, não só no caso daquelas colecções de artistas de Hollywood, ou do Parque Mayer lisboeta, mas também quanto a jogadores de futebol, e até nas séries mostrando animaizinhos. É verdade, nos retratinhos de jogadores de futebol, que se adquiriam a tostões, com rebuçados ou não, em especial nas tabernas, mais tarde nas papelarias, falava-se sempre de “actores”. Perguntava-se à camarro a outro jovem. “-Eh pá eh, tens actores p’a trocar”. Tudo se fazia para obter, por exemplo, “actores” mostrando a efígie do Azevedo, ou do Moreira, ou do Armando Ferreira, ou do Arsénio, ou do Félix. E também os cromos de futebolistas do Barreirense e da CUF, disputando a I Divisão. Aqueles retratinhos com tantos chutadores de bola que todos conhecíamos de os ver passar. (A propósito: o Félix foi vizinho de quem aqui escreve, durante muito tempo na Rua Elias Garcia, Barreiro, antes de ele emigrar no início dos anos 60 para a África do Sul. Imagine-se, o orgulho, que sentia este então garoto... Residir por ali o “Pantufas” que tinha sido, por quinze vezes, o defesa-central da “selecção das quinas”.... E que fique aqui - mais para sorrir – que o Félix era o melhor jogador de “bonecos” no Café Barreiro...).
Mas o orgulho sentido pelos barreirenses naquelas épocas não era apenas devido aos craques do futebol. Também devido aos ases das outras modalidades desportivas, em especial do basquete e do remo. Também em virtude dos grandes artistas de teatro, cantores, músicos e filarmónicos, que surgiam no âmbito das colectividades, da rádio, do cinema, depois da TV. Também devido aos artistas fotográficos, aos poetas, aos jornalistas, aos cronistas, aos mestres do artesanato, tantos bons cultores das belas artes. Era o Barreiro...

 
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