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JÚLIO DE ARAÚJO (1891 – 1977)
Agente comercial, dirigente e publicista desportivo, desportista ecléctico

1 - Residente no Barreiro dos 4 aos 18 anos. 
2 - “Data de 1901 a prática do foot-ball no Barreiro”. A génese do desporto-rei local.
3 - Figura eminente do Sporting Clube de Portugal. Publicista desportivo
4 - Profissão: agente comercial. Vulto do portuguesismo no Rio de Janeiro

5 - O SPORTING e o BENFICA muito beneficiaram do “FILÃO” DO BARREIRO.
6 - Em 2001, “100 anos de Futebol no Barreiro”.
 

Júlio de Araújo foi testemunha, quando garoto, do nascimento do foot-ball no Barreiro. Tal sucedeu em 1901, o que ele viria um dia a registar na imprensa da vila. Em 1907, com seu irmão José, foi dos co-fundadores do Sport Barreirense. Rumou para Lisboa aos 18 anos, vindo a tornar-se uma legenda do Sporting Clube de Portugal, uma figura bem marcante, histórica, entre os grandes presidentes da colectividade.  
Muitos dos preciosos elementos (incluindo a grande maioria das fotos) contidos neste trabalho foram-nos muito gentilmente cedidos em Fev. de 2001, a partir do Porto, pela filha de Júlio de Araújo, a senhora Drª Maria Alice Costa Araújo F. e C., o que muito agradecemos. O contacto desta senhora fora-nos fornecido por seu primo barreirense Dr. José Pedro da Costa. (Antigo Editor, depois Director, do “Jornal do Barreiro” em 1954/56).
São bem necessárias algumas referências ao pai do nosso biografado, José Luís Barreiros Cardoso de Araújo. Durante anos prestou serviço como telegrafista nos Correios de Santarém, cidade onde lhe nasceram os quatro descendentes: Henrique, José, Júlio e Noémia. A esposa Maria Delfina, era natural de Coruche, onde ele estivera colocado antes.
José Luís foi transferido para o Barreiro, durante - crê D. Maria Alice – o ano de 1895, tornando-se responsável pelos Correios. Estes situavam-se, na época, a poucos metros da Igreja Matriz, em primeiro andar do lado norte da Praça Velha, contíguos ao prédio onde se localizava a presidência do Município. (E onde no rés-do-chão, anos mais tarde, se encontrava o denominado “cinquenta”...). De boas famílias, culto, simpático, José Luís desde logo se relacionou com pessoas relevantes da vila (como fossem as famílias Costa, Covacich, Miranda, Ryder, Pimenta, Vasconcelos), animando reuniões sociais e artísticas na Capricho Barreirense e no Grémio Barreirense, este fundado em Jan. 1904. (Neste contexto assinale-se que no Barreiro Velho existe a Travessa do Grémio, onde surgiria depois o Clube 22 de Novembro, cruelmente desaparecido em 1978 em pasto de chamas). 
Em 1909, o alto funcionário dos Correios do Barreiro retornou a Lisboa, com a família. Dª Maria Alice, está de posse do “atestado de residência e bom comportamento” referente a seu pai, passado naquele 1909 pelo Regedor da Freguesia de Santa Cruz do Barreiro, Nicola Covacich.

 

1 – Residente no Barreiro dos 4 aos 18 anos.                         

O nosso biografado - de nome completo Júlio Cipriano Cruz Barreiros Cardoso de Araújo - veio ao mundo, como dito atrás, em Santarém, precisamente no dia 11 de Julho de 1891. Aprendeu a ler no Barreiro, na Escola Conde Ferreira. Concluiu o secundário em 1907 no (antigo) Liceu Passos Manuel, deslocando-se à Capital nos barcos a vapor, com seu irmão Henrique e (o futuro cunhado e grande amigo) Joaquim do Rosário Costa, com quem chegou a formar uma sociedade em Lisboa nos anos vinte.
No Barreiro, Júlio de Araújo já se mostrava um sportsman ecléctico. Chegou a ser dos melhores nadadores, e um bom no ciclismo, as modalidades desportivas que, com as corridas e a vela, eram as mais populares na vila antes da “chegada” do foot-ball. Em Lisboa, no Sporting, para além de continuar no futebol, Júlio ainda iria praticar, com valor, o ténis e o hóquei (em campo).
Desde jovem, o nosso evocado participou no teatro local. Eis uma historieta de temática teatral contada por sua filha. Numa peça realizada no Grémio, Júlio tinha que entrar em cena de modo barulhento. Fê-lo de modo tão estridente, que ganhou ali a alcunha camarra de “Estrondo”... Acentue-se que a família Araújo era muito dada às letras, em especial ao teatro. Alguns ascendentes de Júlio de Araújo encontram-se distinguidos na “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira”, com destaque para seu avô, Luiz António de Araújo (1833-1908), publicista muito popular e fecundo, especialmente dramaturgo e comediógrafo, autor de Almanaque de sucesso.
José Araújo, irmão do nosso evocado, e um dos co-fundadores do primeiro clube de futebol que existiu no Barreiro, também foi funcionário dos Correios, perecendo em Beja. Quanto a Henrique Araújo, o outro irmão e co-fundador do Sport Club Barreirense, era engenheiro civil, consagrou-se em Moçambique na área das pontes. A morte arrebatou-o na sua residência, no Maputo (antes Lourenço Marques), assassinado por malfeitores.

2 – “Data de 1901 a prática do foot-ball no Barreiro”. A génese do desporto-rei local       

Reza a história do futebol nacional, que a primeira bola (de couro) chegou a Lisboa em 1888, procedendo de Inglaterra. O Barreiro esperaria uns anitos até lhe aparecer o primeiro esférico a sério,

que “desembarcou” na vila somente em 1901, mas para ficar, e de que maneira... E se custava uma “mancheia de massa”, uma bola daquelas....
O Barreiro em breve se tornaria famoso pelo seu “filão”, ou “viveiro, ou “alfobre”, ou “empório“, ou “fonte copiosa” - haverá outras designações condignas - de ases do futebol. Era para “dar e vender”. Cite-se Júlio de Araújo:
“Data de 1901 a prática do foot-ball no Barreiro. António Maria de Oliveira, que estudara na Casa Pia, foi sem dúvida o introdutor de tal desporto”. Foi com esta frase que Júlio – com conhecimento pessoal de causa -  principiou a longa crónica intitulada “Um pouco de história…” no jornal “O Barreirense”, órgão do F. C. Barreirense, dado à estampa em Abril de 1927 por ocasião do 16° aniversário do clube. Reproduzimos aqui, em anexo, o histórico documento. O autor espraia-se pelo primeiro clube de foot-ball surgido no Barreiro, o Sport Club Barreirense. Recorda os nomes de vários dos jovens praticantes que então corriam atrás daquela bola, de início nos terrenos do Palácio do Coimbra, depois junto à Cordoaria Nicola.   
Também em anexo registamos relevante artigo saído no “Eco do Barreiro” de 1 de Maio do mesmo ano de 1927 em que se relata a Assembleia Geral comemorativa do aniversário do Barreirense. Nesta, o muito conceituado Júlio de Araújo (que então residia em Lisboa, e que já por duas vezes assumira o posto de Presidente da Direcção do Sporting Clube de Portugal) aceitou o convite para secretariar aquela assembleia.

3 – Figura eminente do Sporting Clube de Portugal. Publicista desportivo

Júlio de Araújo marcou uma época do historial do Sporting Clube de Portugal, fundado em 1906. Ingressou no clube pela mão do grupo Stromp. Em pouco tempo tornou-se figura de enorme projecção dos leões.
Citamos do que Eduardo de Azevedo, historiador do Sporting, deixou escrito, em obra antiga, a respeito do nosso rememorado (que pertenceu por várias vezes a corpos gerentes leoninos, entre as quais Presidente das Direcções de 1922/23 – Campeão de Portugal - e 1924/25): “Trabalhador incansável, Júlio de Araújo notabilizou-se por ter sugerido e concretizado iniciativas que abriram as portas do futuro Sporting. Foi dele que partiu a ideia de criação do “Boletim” que tanto contribuiu para o desenvolvimento e crescimento clubista. A sua presidência foi decisiva no aumento da massa associativa que passou de 300 sócios a mais de 3.000 ... e na quase invencibilidade do atletismo, do râguebi e da natação. Deve-se-lhe também a construção do Posto Náutico ... Júlio de Araújo tudo fez para que se atingisse o objectivo de tornar o Sporting tão grande como os maiores da Europa, como visionara o grande José Alvalade ... Foi quem mais trabalhou na selecção e registo de elementos necessários à materialização da “História e Vida do Sporting...”.
Para além de colaborador em publicações do Sporting, Júlio de Araújo também assinou crónicas em “Os Sports”, o jornal desportivo mais relevante do seu tempo. Décadas depois, “numa ronda de saudade”, chegou a dar gosto à pena no “Mundo Desportivo”, o sucessor d´ ”Os Sports”. Foi várias vezes agraciado pelo Sporting, destacando-se o “Leão de Oiro e Palma”.

4 – Profissão: agente comercial. Vulto do portuguesismo no Rio de Janeiro
Júlio de Araújo desposou a barreirense Alice Costa em 1918, que ele conhecia de criança no Barreiro. Do matrimónio nasceram José Júlio (1919-1992) e Maria Alice (n. 1925), que completariam cursos superiores. Quanto aos estudos, Júlio desejou quedar-se pelo curso liceal. No mesmo ano em que deixou o Barreiro com a família, a caminho de Lisboa, o nosso homenageado embarcou para Angola, onde foi empregado de escritório até 1912. De volta à Capital partiu para o Brasil, onde se manteve dois anos. Regressou a Lisboa, exercendo actividade em várias firmas como agente comercial.  
Em Fev. de 1930 Júlio de Araújo demandou de novo o Rio de Janeiro, desta vez como Superintendente da Companhia Nacional de Navegação, que inaugurara carreiras regulares para o Brasil. Em 1932 são suspensas tais carreiras. Júlio de Araújo ainda ponderou tornar a trabalhar em Portugal, mas desistiu. Permaneceu para sempre no Rio de Janeiro em várias actividades comerciais. Ainda se deslocou algumas vezes a Portugal, mas sempre por pouco tempo. Sentia o dever de prestar os melhores serviços à comunidade lusa na então capital brasileira. Este português de fino trato chegou a dirigir a Repartição de Propaganda da Casa de Portugal, esteve ligado ao Gabinete de Cultura.
Nos últimos anos, uma afecção (visão dupla) quase o cegou. Nunca perdeu as suas invulgares qualidades intelectuais. Faleceu de pneumonia na sua residência do Rio de Janeiro em 4 de Fev. 1977, com 85 anos.

 

6 - Em 2001, “100 anos de Futebol no Barreiro”.

Quem assina o presente trabalho sabia da existência, desde havia muito tempo, da crónica de 1927 “Um pouco de história...”, atrás referida. (Isto graças à sua colecção de antigos periódicos editados pelo F. C. Barreirense). Assim, logo em 25 de Novembro de 2000 iniciámos  na “Voz do Barreiro” uma série de 32 artigos (de página) intitulada “Ano 2001 – Centenário do Futebol no Barreiro”. Redigimos no primeiro escrito: “... Foi o futebol que mais alto levantou o nome do Barreiro desportivo ao longo de gerações (e isto a despeito dos enormes êxitos conseguidos em outras práticas desportivas) ... Como dar realce a tal data? Não será ... difícil a uma Comissão Organizadora estabelecer um programa condizente e ajustado a um momento tão alto do nosso desporto ...”.
Dirigimo-nos por escrito à Câmara Municipal, chamando-lhe a atenção para a efeméride relembrada naquele nosso artigo de Novembro 2000. Também remetemos cópia daquela nossa crónica à atenção de clubes históricos do Barreiro. Nada havia que contestasse a asserção de Júlio de Araújo referente ao ano de 1901. A C.M.B. decidiu então chamar a si a organização da respectiva comemoração, com entusiasmo e com a colaboração de muitas boas vontades. Surgiram imagens emotivas de antanho de equipas e atletas notáveis. Entre outros eventos, foi levada a efeito a insigne, vasta exposição “100 Anos de Futebol no Barreiro” (vide anexo). Tudo um êxito enorme! Um belo reconhecimento do desporto-rei no Barreiro...

O “FILÃO” do BARREIRO aqui.