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ANTÓNIO BALSEIRO FRAGATA  (1914 – 1997)
Funcionário público, obreiro associativista, articulista

Este rememorado foi o brilhante impulsionador, a grande alma do epopeico Ginásio-Sede do F.C.Barreirense. Conseguiu congregar à sua volta um sem-número de homens de acção possuídos de enorme querer e fervor. António Balseiro Fragata nasceu em 26 de Fevereiro 1914 em Vieira de Leiria, vindo para o Barreiro com meio ano de idade. (Tenha-se presente que nas primeiras décadas do sec. 20 bom número de naturais daquela localidade demandaram o Barreiro, tendo-se tornado alguns bastante apegados ao associativismo e à cultura).   

Camarário no Barreiro e em Lisboa

A primeira residência de António Fragata localizou-se no Largo das Obras. Por cá cumpriu os estudos escolares. Em conversação-entrevista tida já nos anos 90 com o presente autor, A. Fragata afirmou que se tornara camarário no Barreiro com 19 anos, em 1933, no mandato do Presidente da Câmara ten. Bento da Silva Fernandes. (E tal no mesmo dia do posterior colega, no F.C.Barreirense, Armando Silva Pais). O nosso biografado laborou como funcionário dos Serviços Municipalizados das Águas da C.M.B. Passado pouco mais dum decénio, transferiu-se, por concurso, para a Câmara de Lisboa com o posto de contabilista. Tornar-se-ia primeiro oficial, chegando a ser galardoado com medalha pela Câmara da capital.
Associativista - Articulista
Desde a juventude, António Fragata ocupou posições directivas em agremiações. Foi Presidente de corpos gerentes da Sociedade Columbófila Barreirense, do Império (filial do F.C.B., sediado no Largo das Obras), da Liga de Ping-Pong do Barreiro e da Associação de Basquetebol do Barreiro (depois denominada Assoc. de Basq. de Setúbal). A sua distinta aura associativista foi conquistada, porém, no F.C.Barreirense. Nos rubro-brancos desempenhou importantes cargos, como Presid. da Direcção (de Julho a Setembro de 1941), e também Vice-Presidente (em 1946, na Presidência de seu primo mais velho, o vieirense António Balseiro Guerra).      
António Fragata foi autor de escritos de elevado merecimento. Há que considerar excepcional, por exemplo, o seu artigo de página “Do nosso Ginásio-Sede...” divulgado no mensário “O Barreirense” de 11-4-1950. Nele, o cronista, descreve a situação vigente do “trabalho que visa a criação dum património indispensável para a nossa existência como clube de honrosas tradições”. Deixou lá expresso o eterno agradecimento às dezenas de obreiros (incl. uma senhora) que pouco antes haviam construído, graciosamente, a vivenda da Rua Brás, objecto de sorteio em prol da grande obra em curso. E nessa publicação constam os nomes do autor do projecto, dos pedreiros, carpinteiros, electricistas, pintores, estucadores, canalizadores e serventes (estes, em especial,  ... caixeiros e empregados de escritório).     

A grande alma do Ginásio-Sede do F.C.Barreirense

O Barreirense (fundado em 1911) - que foi calcorreando uma série de sedes alugadas - começou a sonhar, a ambicionar, possuir (uma bela) casa própria, agregada a um ginásio para a prática de modalidades desportivas. Já nos anos 30 existiram comissões para esse efeito, mas delas nada resultou. Em 1940 formou-se nova comissão, liderada pelo industrial Jacinto Nicola Covacich. Após várias diligências, a Câmara do Barreiro colocou em hasta pública um terreno de 1.512 m² bem perto do terreno onde nasceria o parque municipal com o nome do Presidente do Conselho. Em 22 de Outubro de 1941, o comerciante Albino José de Macedo adquiriu, em proveito do FCB, aquele terreno à razão de 5.10 escudos o m², comprometendo-se o Clube a construir ali a sua Sede com um ginásio para as crianças das escolas. Criou-se uma “Comissão Pró-Sede”.
Em 11 de Abril 1942 foi lançada a primeira pedra do que se augurava vir a ser um majestoso edifício, com amplo ginásio. O projecto inicial, já de linhas imponentes, levou a assinatura do ainda estudante de arquitectura Joaquim Cabeça Padrão. Em 11 de Abril 1943 inaugurou-se naquele local um recinto descoberto para patinagem, o “Rink Nicola Covacich”. O início da construção da Sede propriamente dita estava programado para meados de 1944, mas não se conseguiu chegar a um verdadeiro arranque. Eram mais que precárias as possibilidades de angariação de fundos. A época, realmente, não era nada propícia a empreendimentos de enorme envergadura. Estava-se - há que acentuá-lo - em plena II Grande Guerra, que não podia deixar de muito afectar Portugal, mesmo não beligerante. E, entre os sócios do F.C.B. ainda não desabrochara o dinamismo requerido. O projecto caiu quase no marasmo. 
Nasceu então, em 30 de Maio 1945, a “Grande Comissão Pró-Ginásio”, à frente da qual se encontrava o homem exacto: António Balseiro Fragata. Ele teimou! Havia que tentar de novo. Pedia, requeria que o ajudassem. E foi-se desvanecendo o ambiente de descrença que chegara a existir. Ao longo dos anos - até à inauguração em 1956 - Fragata foi conseguindo juntar uma impressionante plêiade de colaboradores exemplares nos mais diversos misteres, que incluia um punhado de eficientes escriturários da empresa CUF. E foram obtidos apoios de outras origens, como do Estado e da CUF. Saliente-se que Jorge de Melo, da CUF, após recepção da Comissão Pro-Ginásio, ordenou, por exemplo, que máquinas da CUF ficassem –  das 17.45 H às 21 H - ao dispor dos obreiros do Barreirense em acção naquela grande obra. E isso por três anos. Auxílios pecuniários, de maior ou menor envergadura também chegaram de barreirenses residindo no Ultramar e no estrangeiro...
Formaram-se as mais variadas secções: houve, por exemplo, a “Propaganda e Festas”, a “Pró-Telhado”, até uma “Instruir é Construir” (a favor dos jovens). No histórico campo do Rossio surgiu a “Esplanada Barreirense”, onde se organizavam espectáculos para angariação de fundos.

 

A “segunda” primeira pedra para a edificação da Sede foi solenemente assente em 8 de Junho 1947. Muitos sócios, adeptos, arrancaram em pleno, dispostos a efectivar o grande sonho. O processo foi adquirindo dinâmica crescente. Elaborou-se novo projecto arquitectónico, também a título gracioso, da autoria do arq. Manuel Nunes Machado,  colega de A. Fragata na Câmara de Lisboa. As mais notórias diferenças em relação ao desenho inicial foram as traças de um “Ginásio B” em andar elevado, um encantador terraço a 22 m de altura e um cata-vento com altaneiro emblema do F.C.Barreirense.
A catadupa de iniciativas em prol do Ginásio-Sede foram coroadas de êxito total. Eis algumas delas, para além da mencionada vivenda na Rua Brás; sorteio de um automóvel Vauxhall (que foi passeado sobre camioneta, até pelos arredores, 1949); realização dos mais diversos espectáculos de variedades (com muitas actuações graciosas); sessões de cinema em salas cedidas; os famosos “comboios da pedra”, um deles com muitas senhoras em “fato-macaco” (ou fato de ganga), que foram buscar material às pedreiras do Zambujal, perto de Sesimbra. De volta, os “comboios” eram recebidos com festividade defronte da Câmara Municipal (1951). Depois, claro, junto ao edifício em construção. Sucederam-se as chamadas feiras, ou mercados, onde poderiam ser adquiridas, por exemplo, chapas de lusalite (com ou sem grampos e anilhas!). E também as feiras onde se vendiam telhas, azulejos ou mosaicos, que eram levados com alegria pelos próprios compradores até ao Ginásio-Sede em construção.
Chegou o inolvidável 20 de Maio, ano 1956, a data da solene, tão vistosa inauguração daquele Templo! Onde se pronunciaram algumas tão emocionantes alocuções em redor da fé e amor clubistas. Foi um marco grandioso do Barreirense e do associativismo nacional. No âmbito desportivo, os rubro-brancos sagraram-se lá bicampeões nacionais-A de basquetebol logo em 1957 e 1958. E, com o tempo, bastantes outros troféus desta modalidade foram conquistados naquele ginásio. E os espectáculos? Por exemplo, os concertos da Emissora Nacional e da G.N.R. Os muitos artistas que actuaram naquele palco... A maestrina lavradiense Natércia Couto também ali regeu a batuta. (E até ofereceu um piano ao Clube!). A actuação do cantor  menino-prodígio Joselito, espanhol, que a partir de aí se afirma adepto do Barreirense... E ainda os saraus de ginástica do Lisboa Ginásio, do Ginásio Clube. No hall de entrada do edifício, lápides recordam alguns dos inesquecíveis eventos nunca antes vividos na vila.    
Não deverá ficar esquecido, porém, que após a inauguração chegou a haver sérios aborrecimentos – que se foram arrastando – entre a Comissão Administrativa do Ginásio-Sede (por fim demissionária) e a Direcção do FCB. Os membros da Grande Comissão (que se diziam “os dos dez anos sem férias”) ainda tinham planos em mente, mas a que os directores não acharam por bem corresponder. O grande projecto – constou -  era a construção dum pavilhão destinado, em especial, a competições desportivas oficiais. O ginásio já inaugurado ficaria, primordialmente, para escolas desportivas, espectáculos, assembleias, exposições. A construção adicional encontrava-se programada para terreno então propriedade dos Brancamp. Planeava-se uma passagem subterrânea para lá do balcão, sob a adjacente Rua São João de Brito. Tal suscitou, porém, agitado desacordo da parte de directores, em especial de outros sócios.
Homem de querer inquebrantável, António Fragata também tinha magicado, imaginado, havia tempos, outra coisa de belo para o seu Clube. Tratava-se da construção dum Estádio (com ginásio agregado) exactamente na zona do Moínho Pequeno, perto da caldeira, abrangendo pequena parte do topo Norte da Rua Miguel Pais. O projecto chegou a ser elaborado pela C.M.B. e aprovado pelas entidades superiores. Mas sucederam problemas e a outra “grande aventura” malogrou-se.
Em Junho de 1957 tomou posse uma nova Comissão do Ginásio-Sede, presidida por um membro da Direcção. Elementos houve da antiga Grande Comissão que bastante se tinham aborrecido com as circunstâncias que consideravam bem adversas. Quase todos já tinham deixado de frequentar o Ginásio-Sede. (Alguns regressariam tempos depois). Mas a questão                                              das desavenças não chegara ao fim. Em Fevereiro de 1958 foi aplicada pela Direcção, a António Fragata, uma penalidade de 90 dias de suspensão por distribuição de uma carta. Mas tal penalidade foi-lhe anulada, por aclamação, na Assembleia Geral de 5 de Abril do mesmo ano.

 
 

O BUSTO – FALECIMENTO

António Fragata - sempre propenso a empreendimentos, não a acções políticas - foi personalidade estimada... (Isto também em círculos governamentais. Podia demonstrá-lo até com um cartão que trazia na carteira, onde se lia relevante mensagem subscrita pelo ministro eng. Arantes de Oliveira).

 Desejou-se que o nome de António Balseiro Fragata ficasse como exemplo a ser seguido pelas futuras gerações de adeptos, associados, do F.C.Barreirense. De qualquer modo, o nome de Fragata está perpetuado no Ginásio-Sede, em belo busto descerrado pouco tempo após a inauguração, no Salão Nobre (a sala dos troféus). Apresenta o dístico: “A ANTÓNIO BALSEIRO FRAGATA, GRANDE IMPULSIONADOR DESTA OBRA. O BARREIRENSE AGRADECIDO”. 
Quando António Fragata fechou os olhos para sempre, em 15 de Maio 1997, os dois tão devotados barreirenses Alfredo Zarcos (sobre quem consta crónica nestes Vinculados) e Octávio Martins (cunhado de Fragata), solicitaram à Direcção do Clube que o falecido passasse a última noite no Ginásio onde se tinha avultado como a grande alma. A Direcção acedeu. O féretro permaneceu no recinto de jogos, ao meio, mais junto à parede norte. Foi o modo mais condigno de o Clube se despedir do Grande Obreiro.