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AUGUSTO SABBO  (1887 – 1971)
Engenheiro, personalidade do futebol, cronista, escritor
 

Quem admira o Historial do futebol praticado no Barreiro não deverá desconhecer o Mestre do desporto-rei Augusto Sabbo. Nasceu em Lisboa em 27 de Março 1887, de ascendência germano-húngara. Estudou na Alemanha, onde chegou a praticar futebol oficialmente. Em jovem passou tempos na Áustria e na Hungria para colher muito sobre o “chuto na bola” local que era dos mais notáveis de então.
O engenheiro Sabbo criou na vila-operária a depois denominada “Escola Barreirense”, que ia entroncar, sem dúvida, no modo de jogar austro-húngaro. Por exemplo, introduziu o sistema de passos curtos, habilidosos, envolventes. Nos treinos mandava inúmeras vezes formar triângulos à volta dum só colega. Faziam rodar a bola até à exaustão, o que em campo criava muitas dificuldades aos adversários, que amiúde pareciam andar a “apanhar bonés”. Gerações de barreirenses esmeraram-se nos tais passes, com súbitas aberturas para os extremos. “Jogavam à Sabbo”, dizia-se. Ele era estudioso, seguia métodos inovadores. E exigia muita preparação física. Mas era simpático. Existiu boa empatia entre os futebolistas do F.C.B. e Augusto Sabbo.
No total, A. Sabbo treinou os rubro-brancos durante oito temporadas, a última das quais em 1939/40. A “Escola”, o sistema “à Barreirense” manteve-se. Em finais dos anos 50 ainda se reconhecia o tipo de jogo por cá introduzido por A. Sabbo, a imprensa desportiva sempre o reconheceu. Ele foi, sem dúvida, o orientador mais emblemático da história do (desaparecido) Campo do Rossio. Sob o seu comando técnico, o clube da vila-operária sagrou-se, por duas vezes, subcampeão nacional (em 1930 e 1934). E ajudou a conquistar a Taça Caridade, no Campo Grande, em 2 de Fev. 1930, vitória por 5-1 contra o Sporting. Em 14 de Julho 1928 foi descerrado, na sede do F.C.B., um retrato do “ilustre instructor da secção de foot-ball” (vide foto). Augusto Sabbo faleceu em 30 de Outubro 1971.   
CIF, Sporting C.P., Império (de Lisboa)
Em Portugal, Sabbo iniciou-se no CIF. Consta que foi o primeiro técnico do Sporting a receber mensalidade. Dirigiu o futebol sportinguista em 1922/23 (quando os leões conquistaram o seu primeiro campeonato nacional) e em 1923/24. De orientador do Império rumou para o Barreirense em 1926. (Foi fiel passageiro das carreiras de barco Lisboa-Barreiro).  
O cronista, o escritor    
Augusto Sabbo, muito culto, assumiu-se na escrita. Colaborou bastante na imprensa. Também fez o gosto à pena nos três primeiros números d´”O Barreirense” (!), órgão do F.C.B. O seu escrito de 1928, “Noblesse Oblige”, encontra-se aqui reproduzido. Em 1927 e 1930 assinou, respect., as crónicas “A Mania do Sport” e “As Sortes”.  Detecta-se outro artigo seu, “A Ilha da Utopia”, em publicação do F.C.B. (1940,  Abril).
Tão dado ao desporto (e a pensamentos filosóficos), o nosso rememorado também editou livros, como o notável “Estratégia e método-base do futebol científico” (1945). Transcrevemos aqui um curto trecho desta obra de que reproduzimos a capa e uma página: “Formar mancebos estruturalmente sãos, que possam valer de facto a uma pátria cujo passado grandioso merece não ser esquecido e que no presente ou em futuro muito próximo quer ser, como outrora, heróica e forte, parece-nos uma bela finalidade. Pois bem, o “futebol associativo” pode contribuir para isso com grosso quinhão”.

 
 
 
 
 
 
 

AS ÉPOCAS DE A. SABBO NO BARREIRENSE

Apresenta-se breve resumo da brilhante actividade da primeira categoria de futebol do F.C.B. sob aa directrizes de Sabbo.  
De 1926 a 1930, quatro épocas treinador do F.C.B.
Em 1926, quando se criou o Distrito de Setúbal, surgiu A. Sabbo no Barreiro. Na temporada 1926/27 iniciou ele esplêndido percurso nos teams de futebolistas-operários do Barreirense. Vencedor da I Liga de Futebol do Barreiro, o F.C.B. disputou as eliminatórias do Campeonato de Portugal, afastando o Luso do Barreiro, Olhanense, Boavista, Império. Sucedeu trágico episódio quando nas meias-finais, em estádio lisboeta, o Barreirense – por ordem de Sabbo - abandonou o terreno aos 44 minutos de jogo em reacção à arbitragem, quando perdia por 0-1 contra o Vitória de Setúbal. Em 1927/28, o Barreirense venceu o I Campeonato do Núcleo (do distrito) e no Campeonato Nacional ainda se apresentou nos quartos de final contra o Sporting. Em 16-4-1928, o F.C.B. disputou o primeiro encontro no estrangeiro (em Sevilha, empate 4-4 contra o Real Bétis). A temporada 1928/29 foi a mais fraca com Sabbo na batuta. O F.C.B. alcançou o 2° lugar no Campeonato de Setúbal e é afastado do Campeonato de Portugal pelo Lusitano algarvio. A época 1929/30 ficou (tristemente) célebre. O Barreirense venceu o III Campeonato de Setúbal, em final no Montijo (3-0 ao Vitória). No Campeonato de Portugal, o F.C.B. afastou o Unidos do Barreiro,  Comércio e Indústria, Luso, União de Coimbra, Boavista, Espinho, Belenenses (campeão de Lisboa!) e apurou-se para a finalíssima, sem qualquer derrota naquela época. Adversário: o Benfica, que ainda não tinha sido campeão nacional. Sucedeu algo de que se ressentiu muito no Barreiro... O encontro deveria ser disputado em campo neutro. Mas as entidades (parciais) de Lisboa marcaram o encontro para o Campo Grande, o terreno de jogos do ... Benfica. O benfiquista João de Oliveira (um dos dois irmãos “Bananeiras”) estava suspenso por, semanas antes, ter agredido um árbitro em jogo. À última da hora, este Oliveira foi ... “amnistiado” do seu castigo de oito meses (!) a fim de poder alinhar na final contra o Barreirense. E – o que foi o cúmulo – para árbitro foi designado Silvestre Rosmaninho, ex-jogador do Benfica e um dos sócios mais antigos das águias (!). Os protestos do Barreirense caíram em saco roto. E o Barreirense foi batido no prolongamento, por 1-3, até o segundo golo foi obtido pelo referido “Bananeira” de modo irregular. E Augusto Sabbo não se tornou Campeão Nacional pelo Barreirense em 1930.

1933/34 e 1934/35, mais duas épocas treinador do F.C.B.

Em 1933/34 o F.C.B. já disputava o Campeonato de Lisboa (de Honra), obtendo um excelente 4° lugar, após Sporting, Carcavelinhos e Belenenses, à frente do Benfica. Na final do Campeonato de Portugal, após eliminar quatro adversários (incluindo o Vitória sadino), os barreirenses sairam derrotados, com azar, no prolongamento da finalíssima contra o Sporting. (A poucos minutos do fim, com o resultado em 3-3, o F.C.B. atirou a bola ao poste, falhando a recarga por décimos de segundo. O destino não quis... Os quatro tentos dos leões foram obtidos por ... um natural do Barreiro, ex-Luso! Em 1934/35, o F.C.B. foi o vencedor do torneio da I Divisão lisbonense e disputou, de modo louvável, a II Liga Nacional.

1939/40 e 1940/41, mais duas épocas treinador do F.C.B.

Augusto Sabbo regressou ao Barreirense no começo da II Guerra Mundial, época 1939/40, com enorme êxito. (Francisco Câmara, guarda-redes, que muito o admirou, tornou-se então seu “coadjuvador”). O F.C.B. venceu o Campeonato de Setúbal (dois pontos sobre o Vitória) e classificou-se em magnífico quinto lugar na recente I Divisão Nacional (logo após os chamados “quatro grandes”). Na Taça de Portugal foi derrotado nas meias finais contra o Benfica (1-2). Em 1940/41, a última temporada em que o eng. Sabbo exerceu o comando técnico dos rubro-brancos, o Barreirense arrecadou de novo o Campeonato de Setúbal (com o Vitória a 4 pontos de distância), e classificou-se em sexto na I Divisão de Portugal (vencendo o Benfica por 1-0 no Rossio). Na Taça de Portugal averbou derrota contra o Guimarães.
Por último citamos o que José João Soares, antigo titular do F.C.B. (pai do matador Armando Soares), que bem conheceu A. Sabbo, afirmou em entrevista ao Jornal do Barreiro (25-5-1950): “O eng. Sabbo foi, sem dúvida, o primeiro teórico do futebol que passou pelo Barreiro, sendo sua ... a influência sob a qual vieram a moldar-se gerações sucessivas de jogadores... feitos desse barro especialíssimo, pode dizer-se único, que abunda na nossa terra...”. Pois, o futebol barreirense ficou a dever muito ao hoje quase esquecido Sabbo.


(Nota: Algo sobre os primórdios do desporto-rei no Barreiro pode ser lido nas notas biográficos de Júlio Araújo, o Vinculado n° 23).