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JÚLIO COSTA “JULINHO” (1884 – 1949)
Ferroviário, director/editor de pequenos jornais, tipógrafo

 

Júlio Costa está sendo quase totalmente olvidado. Desta figura barreirense, de tipo quase único, os “Vinculados” dispõem apenas duma foto, a que foi divulgada em 1911 na primeira página dum “O Diabo”. Compusemos o presente texto, aqui e ali, a partir de escritos, anotações de Armando S. Pais, dos anos 50/60. Ou citando o que nos contou, mais tarde, o nosso saudoso amigo Dr. José Pedro da Costa, quando sentados em mesas de café. José Pedro falava com apreço do seu parente, muito conhecido por “Julinho”.
O nosso rememorado, membro da família barreirense Costa, de tão relevantes cidadãos monárquicos, era assumido ... republicano. Sentiu a imperiosa necessidade de desenvolver no Barreiro a imprensa republicana (e também - porque não? - humorística). Dez meses após a implantação da República, ele tornou-se promotor, padrinho d´ “O Diabo”.
O “PREC” da I República, após Out. de 1910, também teve obviamente no Barreiro coisas “levadas do diabo”. Como nos disse o Dr. José Pedro da Costa – que apontámos - houve Costas, dos monárquicos, que sofreram “maus bocados” quando a “autoridade” era exercida por populares nas ruas. Mas o conhecido José Luís Costa, que seria mais tarde farmacêutico em Setúbal, casado com senhora Covacich, conseguiu atenuar atropelos revolucionários. Tal como o republicano “Julinho” – uma pessoa prezada, benquista - também pôde acalmar certos ânimos. Também nos foi afirmado que, no ano de 1911, uns barreirenses de apelido Costa, incluindo esposas e crianças, sentiram necessidade de, à noitinha, “sem dar nas vistas”, se afastarem para Lisboa numa fragata. Tendo alguns deles regressado ao Barreiro, anos depois, quando as coisas se tinham acalmado.    

Júlio da Conceição Costa

Júlio da Conceição Costa, “Julinho”, não nasceu no Barreiro, mas em Vila Franca de Xira, em 8 de Maio de 1849, terra de sua mãe D. Júlia Amélia da Conceição. Seu pai foi um dos vários José Pedro da Costa camarros, este de profissão escrivão de Fazenda. “Julinho”, que passou sempre vida modesta, tornou-se ferroviário logo aos 15 anos, como aprendiz nas oficinas. Com muita queda para o desenho, cedo se tornou desenhador no Serviço de Via e Obras. De espírito muito curioso, cultivava-se, lia muito, ainda na monarquia remetia textos para publicação em jornais fora da vila. Compunha poesias, e desde sempre frequentou os meios recreativos e teatrais do Barreiro. Procurou tornar-se director dum grupo cénico, mas - diga-se - sem êxito. Mas compunha monólogos, até cançonetas e duetos que ganhavam nome. E folgazão como ele era, para as paródias, também nos palcos, era um caso sério. (... Sou trocista... De piadas ando sempre na pista, E é por isso, meus senhores, Que eu meto tais horreres!...).
Com seu espírito prático, montou uma pequena tipografia em parte de sua moradia, ali ao cimo das escadas da Travessa do Loureiro, esquina da parte alta da rua por fim chamada Almirante Reis.  E assim passou a auferir algo para lá da mensalidade da Via e Obras, fazendo cartões de visita, envelopes, programas, papéis timbrados, etc. Mas veio-lhe à cabeça algo importante... Compor, dirigir, editar jornalinhos – republicanos, claro - lá na sua casa. Para isso, o barreirense de coração “Julinho” arranjou amigos que o ajudaram, com a escrita e com capitais, mas em períodos bastante curtos...   
Este biografado reformou-se cedo dos comboios, foi viver, com 39 anos, para a capital, quase no fim daquela I República, constando que por lá também labutou como desenhador na Câmara. Faleceu em Lisboa, em 11 de Outubro de 1949, com 65 anos.
Editor (Director) de jornais
Voltemos à imprensa que lhe estava na massa do sangue. Após o referido “O Diabo”, “Julinho” promoveu o surgimento em 1919 dum segundo periódico, intitulado “A Cabra Cega”. Foram publicações de vida bem efémera, mas sempre atacando os “talassas”.  (Mas que era um, ou uma “talassa”? – perguntará algum leitor... Bem, o substantivo era um jargão típico daquela época, que se reportava aos monárquicos. Em Portugal nunca faltaram jargões, ou calões, até à actualidade, na gíria política. Todos sabemos disso). Mas o certo é que os jornalecos “O Diabo” e “A Cabra Cega” pertencem à história da imprensa camarra dos inícios da República. Neles se espraiou “Julinho”, com sucesso, como articulista, poeta popular, caricaturista.
“O Diabo” (1911 / 1923) – “Quinzenário humorístico ilustrado”, de início composto e impresso em Lisboa. Director e/ou editor, Júlio Costa. Coadjuvado por Mário d´Almeida / António Marques.
Algumas das secções: “Carinhas, Rosna-se, Piadas ao Sol, Direitas”. Ao longo de 1911, “O Diabo” ainda custou (que horror!) 20 réis. Depois passou a custar 20 centavos.
“A Cabra Cega” (1919-1920 / 1923) – “Periódico Humorístico de maior circulação... no mundo”; em 1923, tornou-se mensário de “Crítica, Teatro e Música”. Composto e impresso na Tipografia de Júlio Costa, Travessa do Loureiro 30. Director e/ou editor Júlio Costa. Coadjuvado por Jacintho Izidro (director musical) / João Ferreira dos Santos / Severo Francisco da Silva. Quem conheceu Jacinto Isidro deixou escrito que ele, guarda da estação dos Caminhos de Ferro da vila, tocava muito bem piano e fora em tempos o pianista do Teatro Independente (o primeiro Cinema a sério do Barreiro). Ele era tio de Irene Isidro (1907/1993), também vinculada ao Barreiro. Esta tão conceituada artista de teatro declamado e de revista, cantora, viveu anos da sua meninice no Barreiro. (Irene Isidro pode ser agora bastante “visitada” no Google, onde até a consideram uma “Marlene Dietrich” lusa).