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RAQUELINA MARTINS CÉSAR  (1907 – 1994)
Escriturária, feminista, poetisa, articulista, associativista

Serão apresentados traços biográficos de Raquelina Martins, da estirpe dos popularmente conhecidos por „Nortistas“. Muito trabalhadora, sempre contra as „bolorentas democracias“, de grande espírito realizador, virada para a cultura, mostrava-se acérrima defensora do bom nome da terra natal, o Barreiro. Era um espectáculo: com a Raquelina, quantas vezes se ficava bem disposto, vinham as risadas, contava histórias. Foi senhora „atirada p’rá frente“, uma „dame avantgardiste“,  defensora do feminismo a 100 por cento. Há que dizer que, quando achava necessário, „afinfava“ naqueles que – quanto a ela – se mostravam pouco apóstolos das verdades, como quantos dos vira-casacas abrilinos (após 1974, que não foram poucos). O que chegou a causar-lhe um ou outro aborrecimento...  Mas ela não foi de políticas, nem deste lado, nem daquele. E dizia com alegria: Deitei fora o parece mal“ (Voltaremos ao „parece mal“). Houve alguém que nos classificou Raquelina em quatro palavras: „Uma jóia de senhora“.


Dados autobiográficos

Consta na certidão de nascimento de Raquelina Azevedo Martins, assinada pelo prior Francisco António Quintão, „Egreja Parochial de Santa Cruz da Villa e concelho do Barreiro, diocese de Lisboa“ que a nossa relembrada veio ao mundo „n´esta freguesia pela hora e meia da Manhã do dia vinte e seis de Dezembro do anno próximo findo“(que foi 1907). Ela desposou, em 1947, Manuel dos Santos César, o bem conhecido barreirense „Manuelzinho das Obras“ (pai do „Antoninho“), enviuvando 21 anos depois. Passamos a citar espaços autobiográficos redigidos por Raquelina, sempre dada às letras:.
„Sou … filha do casal: José Vicente Martins e de Gertrudes da Conceição Azevedo. Éramos cinco irmãos: Berta Martins, José Vicente Martins, eu e seguidamente Octávio Martins e Leonídio Martins.(Nestes Vinculados Leonídio consta com o ° 8!). … Mas eu estou aqui para principalmente falar de mim. Provavelmente já nasci independente, espírito livre, fora de preconceitos velhos e relhos, que nos tolhiam os passos da vida, não se lembrando que a vida corre mais célere que o próprio pensamento. Só que hoje, 1990, as coisas, os actos e acções de cada um, são praticadas mais às claras. Quanto a mim, devo dizer que nasci fora do meu tempo, pois nunca liguei ao parece mal. Aprendi a andar de bicicleta, joguei basquetebol, de cuja modalidade fui directora, fui vice-presidente da comissão pró-ginásio do Futebol Clube Barreirense, cujo clube abracei muito nova … Porque agia sempre em conformidade com a minha consciência e, assim, punha os cabelos em pé à minha querida Mãe, … a boa da Raquelina pensou logo em ir de abalada, estrada fora, sentada na almofada traseira da mota do Artur, muito caladinha, não contei nada em casa, mas o pior foi no outro dia, o falatório no mercado, quando minha mãe foi às compras veio para casa a chorar: Ai filha… o que tu foste fazer? Dizem que não tens vergonha de andar na mota do Baeta. Eu muito pacata respondi: Mãezinha, eu não fiz mal nenhum, só fomos até à ladeira de Vale do Romão e viemos logo para casa. A par destas é claro que fiz mais algumas, mas para as contar seria um rosário de contas quase sem fim“... E acrescentou: „Acho que valeu a pena ter vivido“.

Raquelina recorda ainda que teve várias doenças na idade escolar. (Frequentou o asilo D. Pedro V, foi apenas „ficando com a quarta classe“). Resumimos bastante… Começou a trabalhar no Francisco „do Burro“, onde aos 14 anos fazia serviço de caixa com a registadora „Nacional“. Labutou depois na grande modista espanhola Amélia Grou, a seguir, durante 21 anos na Agência de Quintela Paixão, pertinho da Câmara. Em 1962 surgiu a oportunidade de, com um casal de Lisboa, abrir uma escola legalizada na Av. Alfredo da Silva. (Quem aqui escreve, em mocetão andou lá em aulas de dactilografia, ali a dezenas de metros do – hoje desaparecido – campo de jogos do F.C.B.). Por fim, Raquelina chegou a acordo, com aquele casal, para ficar sozinha com a escola. Cita-se ainda: „… nunca me arrependo do que fiz durante a minha vida… Sempre pratiquei o bem que pude a favor dos mais deserdados da sorte. Detractores tive muitos quando me casei, aos quais me orgulho por lhes ter tapado a boca, com a minha linha de conduta, digna e correcta, através da minha vida de casada e de viúva“. Raquelina faleceu no hospital do Barreiro em 16 de Junho 1994.

F.C. Barreirense e Clube 22 de Novembro

Como dito atrás, Raquelina era muito afecta ao Barreirense, sentia bastante os problemas do Clube. Já mocinha aproveitava, com a irmã Berta, a „sarja branca“ dos sacos de açúcar nos armazéns dos Caminhos de Ferro para fazer calções para os jogadores do F.C.B. Foi durante anos, com orgulho, a n° 1, a mais antiga das associadas dos rubro-brancos. Escreveu textos n´„O Barreirense“. Reproduzimos aqui o „Senhoras Barreirenses!!! Soou a nossa hora“, quando do arranque  para a construção do Ginásio-Sede (Junho 1947). Algo do final: „Não se escondam a coberto do parece mal… Soou a nossa hora Sem distinção de classes ou profissôes, e tereis a certeza de trabalhar por um Barreiro melhor e um Barreirense Maior“. De igual modo foi ferverosa sócia do Clube 22. Também apresentamos aqui uma crónica de Raquelina tendo como título o nome do depois tão malfadado Clube 22 de Novembro.                                           

Artigos, poesia, um livro de poemas

A nossa biografada também se tornou colaboradora do „Jornal do Barreiro“, onde se esmerava em avançar ideias conducentes a progresso, onde escrevia „missivas“ a concidadãos. Sentimental como era, Raquelina também se mostrou mulher da poesia. Do seu como que compêndio, intitulado „No Inverno da Vida“ (vide capa), transcrevemos um lindo soneto: