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JOAQUIM OLIVEIRA DA SILVA  (1906 – 1979)
Ferroviário, jornalista, caricaturista 

Joaquim António Oliveira da Silva, nascido em 12 Julho 1906, era barreirense de gema. O pai foi Eduardo “Patacas“ e o avô Luís “Patacas“, os três ferroviários. Este Luís foi filho de António “Patacas“, mestre-escola do Lavradio, que teve como pai Manuel Rodrigues dos Santos e Silva,  comerciante, o primeiro “Patacas“ do Lavradio, que nesta freguesia deu o nome ao Beco do Patacas. Oliveira da Silva completou o segundo ano do liceu. Em 1939 iniciou no Porto a sua carreira de agente comercial da CP. Fixou residência na Invicta. Transitou em 1948 para Faro, onde se manteve mais de dois anos até regressar ao Barreiro. Reformou-se como inspector após 33 anos de serviço. Pôde, finalmente, dedicar-se ao jornalismo – a sua paixão - a tempo inteiro. Seu conceituado noticiário regionalista era verdadeiro, isento, suas crónicas, em estilo distinto e vigoroso, por vezes inclinadas para a sátira. (No presente trabalho serão citadas passagens do longo artigo biográfico sobre este rememorado que o presente autor alinhavou no Jornal do Barreiro em 2002).
F.C. Barreirense  /  Diário Popular
Oliveira da Silva, sócio de várias colectividades, não se comprometia com cargos directivos. A excepção deu-se quando aceitou o convite do primo e amigo Armando Silva Pais para preencher o cargo de Vice-Presidente da Direcção do Barreirense em 1956, ano da inauguração do Ginásio-Sede.
Oliveira da Silva escreveu no Boletim da CP,  em folhas da província, como no Jornal do Algarve. Na imprensa da sua terra natal começou no Eco do Barreiro, assinou depois textos n´ A Voz do Barreiro, O Riso do Barreiro (como redactor-chefe), O Barreiro, Jornal do Barreiro e O Barreirense. Foi o correspondente do Diário de Lisboa no Barreiro a partir de 1961, mas estava desejoso de passar para o Diário Popular, por este ser “mais lido“. Transitou em 1964 para o D. Popular,  substituindo seu amigo Dr. António Barbado, que resignara devido a afazeres. Durante anos, este saudoso jornal instituiu prémios pecuniários mensais, a nível nacional, para os melhores correspondentes. Oliveira da Silva tornou-se aquele que, de longe, mais distinções recebeu daquele vespertino. (Vide imagens). Pena foi que este retratado somente tivesse escrito um livro (1942), que se intitulou Imagens e Legendas do Minho e Douro. Versou tópicos nortenhos, envolvendo linhas férreas, com elementos colhidos durante suas viagens profissionais. A obra foi muito elogiada.
Oliveira da Silva faleceu em 26 Dez. 1979, num táxi a caminho do Hospital do Barreiro. Num táxi, pois que o bombeiro de serviço se recusara a transportá-lo, alegando haver nevoeiro. Oliveira da Silva era sócio havia muito da Salvação Pública e escrevera não poucos locais sobre a Corporação. Ai, se ele, no Diário Popular, tivesse sabido de história semelhante, que crónica demolidora teria saído da sua ágil e contundente  pena…

 

F.C. Barreirense  /  Diário Popular

Oliveira da Silva, sócio de várias colectividades, não se comprometia com cargos directivos. A excepção deu-se quando aceitou o convite do primo e amigo Armando Silva Pais para preencher o cargo de Vice-Presidente da Direcção do Barreirense em 1956, ano da inauguração do Ginásio-Sede.
Oliveira da Silva escreveu no Boletim da CP,  em folhas da província, como no Jornal do Algarve. Na imprensa da sua terra natal começou no Eco do Barreiro, assinou depois textos n´ A Voz do Barreiro, O Riso do Barreiro (como redactor-chefe), O Barreiro, Jornal do Barreiro e O Barreirense. Foi o correspondente do Diário de Lisboa no Barreiro a partir de 1961, mas estava desejoso de passar para o Diário Popular, por este ser “mais lido“. Transitou em 1964 para o D. Popular,  substituindo seu amigo Dr. António Barbado, que resignara devido a afazeres. Durante anos, este saudoso jornal instituiu prémios pecuniários mensais, a nível nacional, para os melhores correspondentes. Oliveira da Silva tornou-se aquele que, de longe, mais distinções recebeu daquele vespertino. (Vide imagens). Pena foi que este retratado somente tivesse escrito um livro (1942), que se intitulou Imagens e Legendas do Minho e Douro. Versou tópicos nortenhos, envolvendo linhas férreas, com elementos colhidos durante suas viagens profissionais. A obra foi muito elogiada.
Oliveira da Silva faleceu em 26 Dez. 1979, num táxi a caminho do Hospital do Barreiro. Num táxi, pois que o bombeiro de serviço se recusara a transportá-lo, alegando haver nevoeiro. Oliveira da Silva era sócio havia muito da Salvação Pública e escrevera não poucos locais sobre a Corporação. Ai, se ele, no Diário Popular, tivesse sabido de história semelhante, que crónica demolidora teria saído da sua ágil e contundente  pena…
“Raúl de Montemor“ versus Manuel Cabanas
Na casa do presente escrevinhador, o primo Joaquim António, oito anos mais velho que Armando Pais, era, quantas vezes, o … “Raúl de Montemor“. Oliveira da Silva usou vários pseudónimos nos seus escritos (como o “Fernando de Alenquer“). Mas para a história da imprensa local ficou mais marcado o “Raúl de Montemor“, com o qual ele “lançou“ a polémica sobre a autenticidade xilográfico-artística de Manuel Cabanas, algarvio, barreirense adoptivo. Era este um artista? Ou não mais que um artesão da xilografia, utilizando „o papel químico no transporte dos traços da cópia a vegetal“?                   
Note-se que Oliveira da Silva, apesar de tudo, sempre elogiou as obras saídas das mãos de Cabanas. (Vide o artigo de 21-12-1950 no JB). Mas… em Dez. de 1952 explodiu desmesurada controvérsia. O pintor plástico barreirense Cândido Lopes quando se deu conta de que, seus desenhos, gravados em madeira por Cabanas, não eram devidamente referidos com seu nome,  também em exposições, sentira-se bastante melindrado. A coisa iria dar „trinta por uma linha“… Cândido Lopes fez então um belo desenho (de que possuimos o original) onde se vê Judas (personificado por Cabanas), oferecendo um presente a Jesus. (Está escrito que Judas traiu Jesus por trinta dinheiros de prata…). 
Desabrochou tremenda discussão. Que trasladou para a imprensa quando o Jornal do Barreiro divulgou, na primeira página, dias antes do Natal de 1952,  o texto „Xilografia – Esclarecer é servir“, assinado por um tal „Raúl de Montemor“. Lia-se, entre muito, que Manuel Cabanas era „apenas gravador, pois não sabe desenhar“.
Houve citação de escritos do pintor Cândido Lopes. Manuel Cabanas respondeu quando ainda não „tinha a honra de conhecer o seu crítico“. Alegou o renascimento das xilogravuras graças às suas novas técnicas. (A que alguns chamavam técnica do papel químico e dos canivetes). Claro que Cabanas logo desconfiou que por detrás daquele „Raúl“ só poderia estar o camarada Oliveira da Silva, que sentia certo prazer em „picar“. Houve troca de textos e de argumentos… Desapareceram os “punhos de renda“ e surgiram as “cachaporras“ não só estilísticas, que constituíram enorme sucesso no semanário barreirense.
Se Cabanas era inabalável nos seus princípios, Oliveira da Silva não o era menos. Se um era teimoso, o outro não o era menos. Cabanas contestava, Oliveira da Silva contra-argumentava                                                               e vice-versa. (O pintor Américo Marinho, amigo de todos, também foi referenciado). Aquela memorável polémica foi apodada de “Revolução na Madeira“. Terminou, na imprensa local, quando o JB, em 15 de Janeiro 1953, reproduziu, ao longo de toda a primeira página e quase meia página interior (!), uma segunda missiva de Manuel Cabanas. (Teria sido o record nacional, em extensão, de cartas divulgadas na nossa imprensa?).
Foi o acontecimento mais debatido – com não poucos sorrisos e risadas - da história do conceituado Cenáculo Barbosa du Bocage, que se reuniu durante anos numa sala do Café Barreiro. Existe uma poesia - temos o original - de mais de três centenas e meia de estrofes (!) da autoria de Arcelino N. Faria, cantando as vicissitudes do „Barracas“ (que „em duro trabalho passava dias e dias a escavar tábuas de pinho, de buxo, de oliveira e de carvalho“) com o „Raúl de Montemor“ (que „escrevia nos jornais campanhas sobre o leite das vacas, sobre os cães e outras coisas mais“).
Bem, Oliveira da Silva muito admirava Eça de Queirós, Júlio Dantas, Ramalho Ortigão (o imortal das “Farpas“). Não temos pejo em afirmar que uma das acções preferenciais de Oliveira da Silva passara a ser aplicar as suas “farpas“, mas correctamente, em Manuel Cabanas. Eram dois homens invulgares, ligados à cultura, cada um à sua maneira. Mas, num aspecto, Oliveira da Silva elogiava o seu criticado. Ele concedia - sem objecções - que Cabanas era “um bom encadernador“…
Foi Hernâni Marinho da Silva, filho (no entretanto já falecido) de Oliveira da Silva, que um dia – em Tavira - nos deu a conhecer o desabafo com que uma vez Cabanas, no Café Barreiro, mimoseou o seu perseverante crítico. Tal „desforra“ foi, textualmente: „Você tem três filhos, dedique-se a eles e deixe-me em paz…!“.    
 

 
 

As caricaturas da autoria de O.S.

Deixemos a “Xilo-Revolução“. Com pouco mais de 20 anos Oliveira da Silva  iniciou-se nas caricaturas, que quase sempre assinava com O.S.. Em 1932, o “Eco do Barreiro“ empreendeu o „Concurso GENTE DO BARREIRO“. Tratava-se de saber quem eram os habitantes do Barreiro caricaturados por … Oliveira da Silva e outros barreirenses. E os participantes tinham de colar as caricaturas semanais em caderneta própria (vide anexo), com os nomes „decifrados“ dos 24 cidadãos (12 cavalheiros e 12 damas) envolvidos. Não era assim tão difícil tal „decifração“. E surgiam lá, entre outros, (vide imagens) Joaquim José Fernandes (que foi Presidente da Câmara), Manuel Pacheco Nobre, Maria Lopes, António Lobo, José Rodrigues „Requinta“, músico.
Apresentamos ainda outras caricaturas surgidas na imprensa e desenhadas por O.S., dedicadas a outros „burgueses“ ligados ao Barreiro, como João Azevedo do Carmo (1927), Luís Matias, Joaquim Quintela Paixão, Américo Marinho, Manuel da Costa Figueira (fundador do Jornal do Barreiro), Manuel de Mello (CUF), Augusto Sabbo.
De corpo inteiro
Oliveira da Silva foi um jornalista de corpo inteiro. Lê-se na evocação do Diário Popular (26 Dez. 1979): “Hoje mesmo, pela manhã, estivera ainda em contacto com um dos nossos redactores“. Sim, aquele que tanto se entregara às lides da imprensa regionalista deu, quase até ao último alento, informações para mais uma notícia.
A filha de „Raúl de Montemor“, D. Maria Odete, também forneceu elementos para este trabalho, o que muito agradecemos. E para terminar… Ao galardoado jornalista camarro J. A. Oliveira da Silva não foi outorgado no Barreiro, nem postumamente, um galardão camarário. Enfim…