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ANTONIO CORREIA DE SÁ,  4° CONDE DE LAVRADIO (1879-1965)
Militar de cavalaria, cronista radiofónico em Londres, administrador em Angola

Ligeiros dados biográficos de quatro personalidades com elo ao percurso, à actividade do 4° Conde de Lavradio:  
A  /  D. Manuel II (1889 - 1932)
B  /  Fernando Pessa (1902 - 2002)    
C  /  6° Marquês do Lavradio (1874 - 1945)
D  /  “Chico da CUF” (1911 - 1993)

Durante a II Guerra Mundial ouvia-se, com frequência, pronunciar em emissora estrangeira o nome duma freguesia do Barreiro: o Lavradio. Isso quando António de Almeida Correia de Sá, Conde de Lavradio, era referido no respeitante às suas vigorosas palestras mensais na B.B.C. de Londres. Vindo ao mundo em Torres Vedras aos 24 de Junho 1879, seria o 4° Conde de Lavradio. O Barreiro, ou melhor, a sua freguesia do Lavradio, ficou bem vinculada à personalidade com aquele título nobiliárquico.  
Qual a temática daquelas tão veementes, apreciadas prelecções políticas nas ondas curtas londrinas? Era, obviamente, a Grã-Bretanha e seus aliados, envolvidos em luta contra a Alemanha nazi e a Itália fascista. E, ao mesmo tempo, a favor da República portuguesa, que com êxito conseguiu manter a neutralidade, escapando assim às destruições e mortandades que assolavam a Europa, com excepção de poucos países. Aquele título de Conde de Lavradio fora-lhe autorizado pelo destituído último Rei de Portugal, D. Manuel II, já no exílio em Inglaterra, para onde o mencionado D. António Correia de Sá o havia acompanhado e a quem sempre patenteou enorme dedicação.
Reproduzimos aqui - pela segunda vez após Outubro de 2008 no Jornal do Barreiro - a capa do opúsculo de 12 páginas, letras pequeninas, intitulado “Mais Palestras pelo Conde de Lavradio”. Foi editado pelos Serviços de Imprensa e Informação da Embaixada Britânica em Lisboa. Com sorte havíamos desencantado, num alfarrabista do Bairro Alto, um exemplar da pequena, mas histórica publicação, que desconhecíamos. (Apresentam uns tantos errinhos ortográficos, o que – neste caso - será um tanto desculpável).            

 
LAVRADIO NASCENTE
 

A II Guerra Mundial
Divulgamos agora curtos excertos das intervenções políticas de D. António Correia de Sá radiofundidas entre Junho e Outubro de 1942. (Sabe-se que nesse período ainda as tropas nacional-socialistas alemãs ocupavam grande parte da Europa central. Os norte-americanos, de início neutrais, começaram a enviar material bélico para a Grã-Bretanha. A Alemanha respondeu com declaração de guerra aos USA em Dez. de 1941).
Citamos, então, frases lidas pelo 4° Conde de Lavradio aos microfones da B.B.C. na segunda parte do ano de 1942 : “Notem pois os meus ouvintes, que a economia germânica só pôde florescer ao serviço da preparação para a guerra que o nazismo tornou inevitável. ... Caminha-se seguramente para a vitória dos aliados sobre as forças do nazismo...”. Afirmou dever-se salientar o que se “... pronunciou com referência ao comunismo... esses princípios (que) são a negação dos valores sem os quais a vida não vale a pena ser vivida”.  Noutro lugar: “... a Europa faminta e ensanguentada só confia na paz dos aliados: quer reconstruir-se na base da liberdade. Cada nação, quer ser senhora dos seus destinos... A paz dos aliados destruirá o infame propósito do nazismo de riscar do mapa as nações de pequena população... Hitler reconhecerá tardiamente que a ambição de dominar e subjugar não poderá vencer o amor pela liberdade e independência. Ele será lembrado como o violador de pactos e destruidor de tratados; a Winston Curchill, a história chamará “O salvador da civilização cristã”. E o mentecapto Führer caiu mesmo, três anos após estas palavras difundidas no éter pelo Conde de Lavradio. (Aqui respeitamos “de”, e não “do”...).
O nosso rememorado foi oficial de cavalaria. Lê-se que passada a estadia na Inglaterra foi administrador da Companhia Inglesa do Caminho de Ferro de Benguela. A data e o local de sua morte não foram por nós detectados na net, mesmo no geneall. Assinalamos aqui o que Armando S. Pais anotou na pag. 438 d´ “O Barreiro Contemporâneo”, I volume: Conde do Lavradio (4° na sucessão) ... Fal. a 1-III-1965, em Lisboa. Com sucessão.  

D. Manuel II  (1889 - 1932)
Alinhavamos umas palavras sobre D. Manuel II - o segundo filho do Rei D. Carlos I - que se tornaria o 35°, e último soberano português. Nasceu em Lisboa, Palácio de Belém. O Infante Manuel  estivera presente quando dos assassinatos de seu pai e seu irmão, o Príncipe Real Luís Filipe, em 1 de Fev. 1908, a metros do Terreiro do Paço. O regime que haveria de ser a tão desastrosa I República chegou já no 5 de Out. 1910. O deposto Manuel II exilou-se, em especial, na Inglaterra. Tornou-se poliglota, bibliófilo, organista. Revelou sempre elevado sentido de patriotismo. Faleceu em Londres com 42 anos. 
A propósito... Lê-se – com bastante raridade - que os carbonários regicidas Buíça e Costa chegaram a dar seus nomes, nos primeiros anos da I República, ao Largo da Nossa Senhora do Rosário, lugar bem histórico do Barreiro. É um elemento toponímico “digno” daquela época tão arrevesada (!).  

Fernando Pessa (1902 - 2002)    

O nosso Conde de Lavradio conheceu bem o locutor português da B.B.C. de Londres, Fernando Pessa.  Este vulto da rádio iniciou-se na Emissora Nacional em 1934. Rumou em 1938 para a B.B.C. quando o director da Emissora era o barreirense Henrique Galvão. F. Pessa ainda é referenciado como cronista e repórter eminente em Londres, embora já não estejam por aí muitos dos inúmeros que, durante a II Guerra Mundial, escutavam Fernando Pessa na B.B.C. até altas horas “agarrados” àquelas telefonias grandalhonas... (Um foi, por exemplo, nosso avô materno). Fernando Pessa foi o primeiro que aos microfones anunciou aos portugueses o fim da Guerra na Europa em 1945. Meses depois ele retornou à Emissora Nacional.
Recorde-se, também, que outros, no tempo de Pessa e até bons anos depois, auscultavam, com certa devoção, mas baixinho, com compreensível precaução, a Rádio Moscovo. Lá ouvia-se, por vezes, a voz daquele impiedoso georgiano, falando obviamente em russo, que não poucos sentiam como um genuíno “Pai dos Povos”.
Fernando Pessa, natural de Aveiro - que na TV, perto do fim, também se celebrizou com a frase ”E esta, hein?” - recebeu relevantes galardões, entre as quais a Ordem do Império Britânico (outorgada pela Raínha Isabel II em 1959) e a Comenda do Infante D. Henrique (1981). Chegou a ser o mais idoso jornalista do mundo em actividade. (Mas o futebol não era com ele...). Aos cem anos e duas semanas faleceu num hospital lisboeta em 25 de Março 2002.

José Maria de Almeida Correia de Sá, 6° Marquês do Lavradio (1874 - 1945)
Vem também a talho de foice acentuar que o atrás mencionado 4° Conde de Lavradio não deverá ser confundido com o 6° Marquês do Lavradio, D. José Maria do Espírito Santo de Almeida Correia de Sá, que também compartilhou o exílio britânico do deposto Rei D. Manuel II, de quem foi secretário particular. (Este marquês - par do reino, oficial da armada – era irmão mais velho do referido 4° Conde de Lavradio). O Marquês assumiu-se figura de muito mérito nas letras, deixou várias obras escritas em especial sobre o universo da diplomacia e a História do Ultramar. 
Detemos o volume das memórias deste Marquês e uns tantos livritos de sua autoria pertencentes à “Colecção pelo Império” (anos 30 e 40), que também merecerão ser apresentados um dia nos Vinculados. No presente trabalho será reproduzida a capa da publicação A Campanha do Bailundo(1935), um dos opúsculos dessa colecção dado à estampa pelo 6° Marquês do Lavradio .  

“Chico da CUF” (1911 - 1993)

Relembra-se aqui outra figura vinculada ao Barreiro que exerceu relevante actividade radiofónica a partir do estrangeiro para Portugal. Realmente, nem de longe sabíamos, lá nos anos 50, que um locutor que bastante se ouvia desde a URSS, difundindo ideias de índole leninista, era tão ligado à nossa terra natal. Tratou-se dum alentejano que veio em 1923, portanto muito jovem, residir no Barreiro, onde vivia um irmão. Lê-se que aos 14 anos tornou-se operário na CUF do Barreiro, como “marcador de sacos”. Cedo se iniciou em actividades políticas comunistas. Passou a ser conhecido por “Chico da CUF”. Em princípios de 1936, para evitar segunda prisão política deixou Portugal.
Pouco antes da eclosão da Guerra Civil em Espanha já ele se encontrava no país de nuestros hermanos, fardando-se até de comissário soviético. Porém, anos depois, o tão activo locutor da Rádio Moscovo, mudou de rumo, passou a dissidente, um “vira-casacas político”. Explicaria pormenorizadamente, em livro, as razões da sua dissidência.
Da U.R.S.S. partiu para Havana, Cuba, onde também se ocupou de programação radiofónica em português dirigida ao Brasil e ao Ultramar português. Francisco Ferreira voltou para Portugal com documentação legal, em 1970, beneficiando da decisão de Marcelo Caetano de não punir nenhum português exilado se regressasse a fim de “trabalhar para o bem do País”. Em Lisboa, “Chico da CUF” logo começou a redigir, com sucesso, artigos em vários jornais. Lançou-se a escrever livros de teor antileninista, antisoviético. Após Abril de 1974 obras suas tornaram-se bestsellers com várias edições. Vinha de Lisboa ao Barreiro visitar as amizades antigas. Na internet não se detecta o nome de Francisco Ferreira (Chico da CUF) na toponímia da simpática Alcácer do Sal, onde nasceu.
Será que o presente escrevinhador se irá abalançar a produzir neste site um texto biográfico mais abrangente relativo a este evocado? Sabe-se que Francisco Augusto Ferreira – tão conhecido pelo atributo contendo as três iniciais do nome da relevante empresa industrial onde trabalhou – é figura algo polémica na localidade, onde viveu 13 anos. (Curiosamente, na URSS, “Chico da CUF”  manteve residência 13 x 2 anos, ou seja, 26).