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BELISÁRIO PIMENTA (1879 – 1969)

Oficial do Exército, investigador militar, escritor, jornalista 

Apresentam-se elementos biográficos de um insigne vulto das letras. Ir-se-á realçar aqui sua vinculação ao Barreiro. (Vinculação essa que não consta nos vastos elementos sobre ele inseridos na net!). O coronel Belisário Pimenta ingressou bem na história cultural do Barreiro, por exemplo ao assinar a publicação “Rafael Pimenta, Gravador em Madeira”. Este era seu tio barreirense, artista que em Lisboa tanto se distinguiu na escultura, na xilogravura, no desenho. (Tal publicação foi editada em 1952, vide imagem da capa mais adiante). Em jovem, influenciado por seu tio Rafael, Belisário também praticou a gravura por talhe, tendo sido autor da publicação de teor algo histórico-cultural, “Memórias dum Aprendiz de Gravador”. (Imagem da capa deste opúsculo de 1961 também mais para a frente)      
O pai de Belisário foi o barreirense António Maria Pimenta que rumou para Coimbra onde se assumiu alto funcionário dos C.T.T.. Entre os seis irmãos de António Maria avultaram três notáveis camarros, que foram: José Augusto Pimenta (1860-1940), autor da primeira obra alusiva à história do Barreiro (1886), que depois manteve residência em Lisboa, onde foi funcionário relevante da alfândega e político monárquico. Chegou a ser eleito deputado por Lisboa. Porém, não tomou posse do posto parlamentar devido ao 5 de Outubro 1910; João Dias Correia Pimenta (1853-1931), boticário da “Pharmácia Pimenta” - ainda hoje Farmácia Pimenta - estabelecida por seu pai, de boa família, na então rua principal do Barreiro. João Pimenta tornou-se o último Presidente da Câmara do Barreiro do regime monárquico; o terceiro irmão foi o atrás mencionado Rafael Idézio Maria Pimenta (1850-1931). (Note-se que José Augusto e Rafael Idézio estão incluídos nestes Vinculados, respectivamente com os números 7 e 17. No texto referente a Rafael Idézio constam várias citações referentes a este vulto da arte oriundas da pena de seu sobrinho Belisário).
Há que lembrar aqui que a bem histórica colectividade barreirense S.I.R.B. “Os Penicheiros” organizou, entre Junho e Agosto de 1953, a I Grande Exposição de Arte por Amadores, onde também estiveram expostas peças executadas por Rafael Idézio. O nosso evocado coronel Belisário Pimenta foi convidado. Pronunciou, então, uma longa, muito apreciada conferência-dissertação alusiva à gravura em madeira e seu extremo valor na imprensa doutros tempos, e também sobre a personalidade, a obra e o legado artístico de seu falecido tio Rafael. Chegou a ser publicado o teor dessa conferência.
Um dos bons amigos de Belisário foi – sem dúvida – o barreirense Armando S. Pais, que seria autor de quatro tomos monográficos sobre o Barreiro. A. S. Pais, sub-inspector dos abastecimentos, visitou Belisário Pimenta variadas vezes, também em sua casa, durante anos, quando se deslocava a Coimbra em viagens de serviço. No presente trabalho estão incluídos elementos provindos desse profícuo intercâmbio cultural, como seja um interessante caso de correspondência postal. O nosso evocado logicamente também conheceu o algarvio, barreirense adoptivo, Manuel S. Cabanas, mestre de xilografia, co-organizador da referida Exposição de Arte nos “Penicheiros” em 1953.    

O percurso de Belisário Pimenta

Belisário Maria Bustorf da Silva Pinto Pimenta (nome completo) veio ao mundo em Coimbra, a 3-10-1879, em prédio de segundo andar onde viveu em jovem. Nos andares inferiores existia uma tipografia que boa influência terá exercido sobre o seu rumo intelectual. Na metrópole do Mondego finalizou os estudos liceais e a Escola do Exército. Pertenceu a guarnições de diversas províncias. De ideologia republicana (ao invés de seus familiares do Barreiro, figuras monárquicas), foi membro de loja maçónica. Casou em 1908 com D. Amélia D. de Almeida Possidónio da Silva, neta de conhecido arqueólogo. Já coronel de infantaria tornou-se Comissário da Polícia em Coimbra dias depois da proclamação da República em Outubro de 1910. Passou à situação de reforma no limite de idade (1959).
Em 1913 divulgou seu primeiro escrito sobre tema histórico. E nesse ano apresentou o primeiro de muitos trabalhos sobre Miranda do Corvo. (Nesta vila do distrito de Coimbra seu nome pertence à toponímia, aliás como em Coimbra). Tornou-se profícuo, ilustre investigador militar, articulista em vários jornais e revistas, em especial nortenhos. Colaborou na Grande Enciclopédia Portuguesa Brasileira. Publicou livros, opúsculos, fascículos em enorme quantidade. Despendeu longas horas de trabalho no Arquivo da Universidade de Coimbra, estudando, buscando documentação. Em 1966 tornou-se membro da Academia Portuguesa de História. Foi grande-oficial da Ordem Militar de Avis.  
Belisário Pimenta faleceu em Lisboa, no dia 11 de Novembro de 1969. Não chegou a terminar sua bibliografia. Sua filha, Dra. D. Maria Helena da Silva Pimenta de Sousa Lima, professora liceal em Lisboa, findou o longo trabalho de mais de novecentas espécies (!). A Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra editou, em 1974, a esplêndida “Bibliografia de Belisário Pimenta”. E inaugurou, em 22 de Março de 1993, a Sala Coronel Belisário Pimenta. (Vide anexos).