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ARTUR AGOSTINHO (1920 – 2011)
Relator e repórter, radialista, jornalista, escritor, actor, publicitário

Não nos vamos espraiar muito pelo inigualável, extenso percurso tão polivalente deste histórico comunicador. Artur Fernandes Agostinho nasceu no dia de Natal de 1920, de família remediada, no bairro de Campolide, Lisboa, deixou-nos para sempre na Capital em 22 de Março de 2011. Ele estava bem vinculado ao Barreiro, muito em especial porque, em 4 de Outubro de 1959, “caiu em desgraça” perante o “arquitecto de comédias e dramas” comandante do posto da Guarda Nacional Republicana M. da Gr. da vila operária. No espaço de meses, Agostinho foi detido duas vezes quando se preparava para relatar jogos do Desportivo da CUF do Barreiro para a primeira Divisão de futebol no campo D. Manuel de Mello. (O Estádio de Santa Bárbara estava a ser relvado). Na primeira detenção ele veio a sofrer encarceramento humilhante. E às 23 horas desse dia foi sujeito a julgamento no Tribunal do Montijo. Foi, porém, absolvido... Ele ficou com a impressão – deixou escrito - que a GNR era como que “dona e senhora” do seu “Reino Barreirense”.  
Há quem se lembre de Artur Agostinho ter denominado o F.C.Barreirense de “glorioso” quando este venceu, no Barreiro, o Benfica por 3-0 para a I Divisão em Novembro de 1954. E quanto a programas, assinalemos seus célebres “Serões para Trabalhadores”. E sua série de médios papéis no cinema... Claro que só repetiremos aqui pouco do que alinhavámos para um artigo vindo a lume no Jornal do Barreiro de 1-7-2011. Tal artigo encontra-se reproduzido mais adiante.
A voz de Artur Agostinho foi para o éter, pela primeira vez, na Rádio Lusa em 1938. Passou depois por várias emissoras até chegar em 1945 à Emissora Nacional. (A rádio foi a sua “menina”, afirmava). Foi na Emissora Nacional que se estreou nas transmissões de partidas de futebol, onde atingiria relevante aura. Oh, aqueles inimitáveis relatos que Agostinho lançava para o ar... Também foi o primeiro entre nós a moderar concursos na Televisão, o meio de comunicação que irrompeu em 1957.   

Para lá do desporto, A. Agostinho executou reportagens das mais relevantes, como as do Santuário de Fátima, ou quando de visitas políticas, em que se salientaram a da Raínha de Inglaterra, as recepções a Presidentes Republicanos, também da Brasil e até do Paquistão (mas não da Europa Oriental, nem para lá dos Montes Urais). Assim como no caso do assalto ao paquete Santa Maria, ou em viagens de Presidentes lusitanos, tais como Craveiro Lopes e Américo Tomás. Isto talvez se viesse a traduzir na reacção de alguns militares revoltosos que, armados, o prenderam na madrugada de 26 de Setembro de 1974 em casa sua. Conduziram-no ao RALIS com uma pistola apontada à cabeça, onde foi recebido – como escreveu – com berrarias de “fascista” e o enclausuraram durante três meses na prisão de Caxias. Também há que salientar suas actividades na imprensa desportiva, chegando a ser director do Record de 1963 até Abril de 1974. E director do Jornal do Sporting. Tornou-se publicitário em 1948, quando fundou a agência de publicidade Sonarte, que dirigiu durante décadas.
Artur Agostinho foi vulto inigualável, ímpar, da Comunicação Social. De vida incrivelmente muitifacetada... Soube manter brilhante carreira ao longo de sete décadas... Recebeu honrosas distinções das duas Repúblicas.  A toponímia do Barreiro deveria conter um dia – julgamos - o nome desta figura lendária da rádio, televisão, cinema, que admirava o Barreiro, a despeito das tão desrespeitadoras “tropelias” da GNR de então. Agora algo para sorrir aqui... Ele era um ”Leão”, um adepto convicto do Sporting, o que poderia dificultar um tanto a justa decisão toponímica... 
Nós, como tantos outros de idades semelhantes, éramos constantemente “visitados” em nossas casas por Artur Agostinho. Aqueles relatos “bestiais” da I Divisão, da Taça, com equipas da vila. E aqueles brados “goooooooolo”, que alguns rapazes procuravam imitar. Mas, quantas vezes, eram mais emocionantes os jogos internacionais de hóquei em patins, também as partidas dos torneios anuais de Montreux / Suíça, na época em que os portugueses eram dos, ou mesmo, os melhores naquela modalidade a nível internacional. (Oh, aquela selecção nacional de hóquei, com Emídio Pinto, Edgar, Raio, Jesus Correia, Correia dos Santos). Não se esqueçam os relatos dos encontros a contar para europeus, para mundiais, para três Olimpíadas. E também quanto a provas de ciclismo.   

Bibliografia. Brasil

 Para além dos dois best sellersAté na prisão fui roubado” (1976) e “Português sem Portugal” (1977), editados em Portugal durante sua permanência de seis anos no Brasil, Artur Agostinho divulgou mais duas obras essencialmente autobiográficas, que foram “Ficheiros Indiscretos” (2002) e “Flash Back – Uma história de vida real” (2011), bem dignos de serem lidas. Nestas, p. ex., voltou a descrever o que viveu quando preso em Caxias. E sobre suas consequências. Congelaram-lhe as contas bancárias. Viu-se impossibilitado de conseguir novo emprego em Portugal. Tal levou-o a rumar quase de mãos a abanar, para o Rio de Janeiro, deixando a esposa e as duas filhas em Portugal. Em especial para os barreirenses interessa o que ele recorda no atrás mencionado volume “Ficheiros Indiscretos” quanto a novos pormenores das histórias rocambolescas sobre sua “desobediência” à autoridade da GNR, sobre “suspeitas” de actividades subversivas no ano 1959 e outros. (O livro apresenta dois capítulos intitulados “Odisseia Barreiro I” (sete páginas) e “Odisseia Barreiro II (quatro páginas). O nosso evocado ainda divulgou três romances, intitulados “Os Abutres” (2004), “Ninguém morre duas vezes” (2007) e “Bela, riquíssima e além disso viúva” (2009).

Colegas, amigos barreirenses

Numa entrevista para “A Bola” de 13-5-1995, Artur Agostinho enalteceu a competência de antigos colegas da RTP em que incluiu os barreirenses Manuel da Costa Figueira (que fora Presidente da Câmara do Barreiro e fundador do Jornal do Barreiro) e Augusto Cabrita. No livro “Português sem Portugal” refere ele, de novo, o mestre da fotografia e cineasta Augusto Cabrita e também a cantora camarra de gema, de voz tão linda, Maria de Lourdes Resende (com “ou”!), que conquistou o título de Raínha da Rádio. A reportagem que “mais marcou” Artur Agostinho foi a que ele produziu em 1960 - acompanhado do, como também deixou escrito em livro, querido amigo Augusto Cabrita - na cidade marroquina de Agadir, destruída por terramoto,