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FELISMINA MADEIRA   (1907-2000)
Professora licenciada em Ciências Histórico-Naturais

Em 1998/1999 captámos vários testemunhos barreirenses do século chegado ao fim. Foi assim quanto à professora Felismina Madeira que nos concedeu entrevista divulgada em Julho de 1999 no semanário “Voz do Barreiro”. Das suas informações, das suas tomadas de posição, iremos transcrever aqui boas partes. A Dª Felismina Gondim Madeira era camarra de gema. Residiu sempre na vila-operária, com excepção do ano que leccionou em Évora.
A primeira professora liceal natural do Barreiro
Vamos basear-nos na citada entrevista, incluindo anotações então tiradas:
-Sim, nasci no Barreiro em 22 de Abril de 1907. O meu pai era de Évora, de profissão carpinteiro dos Caminhos de Ferro, a minha mãe da Azaruja, concelho de  Évora. Cedo passei a morar na Rua Miguel Bombarda nº 25, onde me mantive 57 anos. Aprendi a ler em casa com a minha madrinha. Fui para a Escola Conde Ferreira já só para a terceira classe.
-Podia indicar professoras primárias do seu tempo?
-A Emília Grant, que dava aulas na sua casa em frente da Câmara, a Aida Mourato, a Júlia Franco.
-E quanto aos estudos secundários?
-Comecei por frequentar o Liceu Central de Lisboa, no Carmo, que seria o Liceu Garrett, depois Maria Amália e bem mais tarde a Escola Veiga Beirão.
-E creio que no Carmo, o liceu também se chamou Passos Manuel, já  frequentado por (poucos) alunos do Barreiro. A Sra. deslocava-se diariamente para Lisboa…
-Sim, tanto para o Liceu, como depois para a Universidade. Olha, nos meus três primeiros anos do Liceu, no Carmo, a minha mãe ia no barco comigo e ficava lá até à saída. Levava a merenda e aquecia o almoço numa lamparina de água. Os meus padrinhos também me ajudaram.
-Que universidade frequentou?
-A Faculdade de Ciências, perto da Imprensa Nacional, onde completei o curso de Ciências Histórico-Naturais.
-Onde deu aulas?
-Numa série de estabelecimentos. Vou dizê-los por ordem. Liceu Filipa de Lencastre (feminino), Liceu de Setúbal, Liceu de Évora (no ano em que não morei no Barreiro), Liceu Camões. A seguir no Liceu Passos Manuel (perto da área mais funda da Calçada do Combro) e sua Secção em Massamá-Queluz, cerca de 20 anos. Depois, a partir de 1968, fui Vice-Reitora no Colégio Moderno, que era a Secção do Barreiro do Liceu Nacional de Setúbal e por fim Vice-Reitora do Liceu Nacional do Barreiro, nos Casquilhos. Reformei-me aos 70 anos, que era o limite de idade.
-Que disciplinas ensinou?
-Para além de ciências naturais e de físico-químicas, também matemática e desenho.
-Nos seus tempos contavam-se pelos dedos as senhoras barreirenses formadas. Poucos anos depois da D. Felismina obtiveram cursos superiores Julieta Estrela, filha de ferroviários, em Letras, creio que inglês, e Maria de Lourdes Costa Mano (Silva Pais), piano no Conservatório.
-Antes de mim, com curso superior, apenas me recordo de duas farmacêuticas: Ema Pimenta, cujo pai era farmacêutico na Rua Aguiar e Arminda Coelho, seu pai possuia uma sapataria também na Rua Aguiar.
-Quer dizer que a D. Felismina foi a primeira professora liceal do Barreiro.
-Creio bem que sim.
-Recordo-me desde sempre da D. Felismina. Mesmo em frente da sua casa na Rua Miguel Bombarda, era a casa térrea mandada construir por meu avô Rosa Paes e onde nasceu meu pai Armando.
-Eu ia lá, até para assistir às experiências de física executadas pelo teu tio Fernando, e para as quais ele convidava jovens da vizinhança.
-Em 1962 foi construído, na área daquela casa, um prédio de vários andares, onde também se instalou a Associação Académica do Barreiro.
-Sim. Fui a primeira sócia  da Académica, até ao desaparecimento.
-D. Felismina… Para quem, com a sua idade, sempre morou no Barreiro (menos no ano lectivo em Évora), deverá parecer impressionante a diferença entre a vila do seu tempo de garota e a trepidante urbe de agora.
-É como o dia da noite. Noutros tempos quase não se viam automóveis. Os veículos que costumavam passar à minha porta eram os carros do Azoiano ou a charrete do Dr. Caroço.
Chegámos ao fim. A idosa entrevistada demonstrara invejável memória, profunda clareza de espírito. A propósito... Ainda nos lembramos, dos meus tempos do Passos Manuel, quando a D. Felismina, nas passagens entre as duas margens do Tejo, utilizava sempre o “camarim das senhoras“. Sim, o camarim que existia lá em baixo, nos inesquecíveis barcos ronceiros de nome Alentejo e Trás-os-Montes.
E quanto à nossa toponímia?
Realmente a Prof. Felismina foi a única (!) senhora fundadora, em 1938, da tão saudosa Associação Académica do Barreiro. (Esta seria a quarta filial da Associação Académica de Coimbra!). A nossa biografada manteve-se sócia da A.A.B. até que a histórica agremiação, então sediada na Rua Miguel Bombarda, desapareceu de modo inusitado dias após se ter instaurado a presente III República em 1974. (Vá lá que se salvaram as Actas da A.A.B.!).
Quem aqui escreve nunca teve como mestra a emérita D. Felismina. Infelizmente... Mas chegámos a receber aulas, no Barreiro, de outra Lady do ensino, da mesma geração. Referimo-nos à também mui digna professora D. Júlia Franco, natural – bem nos recordamos de ela o dizer - de Vendas Novas. No Alto do Seixalinho consta uma Rua Júlia Franco. Esperamos que, um dia, também surja no Barreiro uma artéria com o nome Felismina Madeira. Parece-nos não existir nenhum pormenor no seu percurso, nem de familiares seus, nem de longe, que possa entravar ou impedir tal determinação toponímica. Isso iria certamente agradar aos muitos antigos alunos desta tão apreciada primeira professora liceal nascida no Barreiro. A Prof. Felismina não chegou a desposar. Afirmaram-nos que faleceu em 5 de Maio de 2000.
P.S. – Este trabalho apenas apresenta uma foto da biografada, aquela que lhe tirámos quando da entrevista. Muito gostaríamos de acrescentar umas três/quatro boas imagens. Por exemplo, D. Felismina dando uma aula, outra em conjunto com alunos de uma turma do Barreiro, outra – quando menina – com seus progenitores. Oxalá as obtenhamos um dia.