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HENRIQUETA GOMES DE ARAÚJO (1804 -1882)

Filantropa, benemérita, fundadora do Asilo de D. Pedro

 
 

Nos últimos anos têm surgido interessantes, valiosos trabalhos referentes à História da Misericórdia do Barreiro e à História do Asilo, depois Patronato, de D.Pedro V, também do Barreiro. Para os presentes dados biográficos de D. Henriqueta Gomes de Araújo baseamo-nos, porém, nos excertos históricos legados pelo monógrafo barreirense Armando S. Pais (1914-1975) sobre esta digna senhora, fundadora e directora do referido Asilo. Tais textos foram na maioria divulgados em 17 largos rodapés no antigo semanário “O Barreiro” em 1945. (Estava a II Guerra Mundial chegando ao fim). Sobre a mesma temática também vasto capítulo consta no livro camarário “O Barreiro Antigo e Moderno” do mesmo autor (1963). Assinale-se que, para esse trabalho, A. S. Pais pesquisou actas da Câmara Municipal e outros documentos, como os pertencentes à Irmandade da Sra. do Rosário e ao Asilo. No presente trabalho reproduzimos quatro da meia centena de imagens solicitadas pelo autor a seus amigos Américo Marinho (desenhos) e Manuel Cabanas (xilogravuras, alguns desenhos) para divulgação naqueles textos. Os três vultos foram membros do relevante Cenáculo Barbosa du Bocage que se reunia em sala do antigo Café Barreiro, Rua Aguiar/Rua Marquês de Pombal.

 
     
 
 

A nossa reverenciada, de nome completo Henriqueta Leonor Morão Gomes de Araújo, nasceu em Lisboa em 12 de Março de 1804. Era filha de Bernardino António Gomes, natural de Paredes de Coura, médico da Real Câmara de D. João VI, e da lisboeta D. Leonor Violante Rosa Morão. A aqui evocada desposou Joaquim José de Araújo (1800-1867), proprietário e lavrador no Barreiro. Nesta localidade, então essencialmente piscatória e agrícola, à D. Henriqueta condoeu-lhe constatar um tão elevado número de crianças desprotegidas, desgrenhadas, esfarrapadas, mendigas. Propôs-se então fundar na vila um “Asylo de Infancia Desvalida”. Outra senhora, a bondosa benemerente D. Amélia Beauharnais de Leuchtenberg, duquesa de Bragança e ex-imperatriz do Brasil, também incentivou o aparecimento do asilo barreirense, procurando protegê-lo.   
D. Henriqueta promoveu a primeira sessão conducente a uma comissão administrativa em prol de um asilo para crianças. Logo assumiu o posto de Directora. Anote-se que o 2° secretário, Augusto Gomes de Araújo, era seu filho, que se tornaria Conselheiro, Comendador e relevante protector do Asilo. (Vide reprodução de gravura sua no presente trabalho).

O nome da filantropa, benemérita, deveria pertencer à toponímia local. Assim, aconteceu que a Travessa da Creche, depois Rua à Quinta da Cerca passou a denominar-se, em 1954, Rua Dona Henriqueta Gomes de Araújo, ali na área tão histórica do Asilo / Patronato.

O Asilo de D. Pedro V foi fundado em 15 de Setembro de 1855. (Precisamente na véspera da aclamação do Rei D. Pedro V, jovem de 18 anos!). Devido a dificuldades, de início ficou instalado no “quarto grande do lado sul” da Real Irmandade da Sra. do Rosário. No princípio, seu regime era denominado de “semi-internato”, pois as crianças, de ambos os sexos, então usando uniforme, apenas se conservavam no asilo das 8 horas da manhã até à noite.
Dois anos após a fundação, o Asilo mudou para casas particulares (hoje não existentes) da actual Rua Almirante Reis. Em vida de D. Henriqueta, a instituição progrediu, chegou a ter 50 crianças asiladas. Mas aí por 1900 a actividade da instituição começou a declinar. As dificuldades ainda se agravaram mais com a implantação da República em 1910. Irrompera o jacobinismo. A nossa Igreja Matriz serviu “bestialmente” de armazém, também cocheira,  durante alguns anos. Foi lógico, o Asilo estava vinculado à Irmandade, à Igreja. Muitos benfeitores de elevada categoria social, de membros da nobreza, deixaram de contribuir.
Lê-se: “Em 1915 o asilo parecia de tal forma abandonado, que foi necessário nomear para ele uma comissão administrativa...”. Por um triz não encerrou as portas.Chegou a isto: “Os semi-internos estavam reduzidos a 8, os alunos que frequentavam a escola eram apenas 21”. Veio a desvalorização do escudo. “... Podia dizer-se que o asilo estava vivendo quase somente dos juros daqueles papéis de crédito” do tempo da sua fundadora D. Henriqueta.
A instituição transferiu-se depois para um primeiro andar de largo edifício na Rua José Relvas, bem perto do Largo Rompana. (Vide imagens). Surgiram lutadores eméritos, direcções muito dedicadas. Foram aumentando os alunos. Em 1929, portanto já na ditadura militar, foi oficializada a escola primária para ambos os sexos (de início separados). Frequentavam-na de novo bom número de crianças pré-primárias. (Quem aqui escreve disso beneficiou. Aprendeu lá as letras, aos cinco anos de idade - tendo como professora D. Aida Hortense Serra da Gama - seguindo no ano seguinte para a Escola Conde Ferreira. No Asilo existia um pátio de recreio que a “malta” muito apreciava mas, “infelizmente”, não era permitido jogar lá à bola). Em 1957, o Asilo veio a adoptar o nome de Patronato de D. Pedro V. Segundo lemos em publicação sempre credível, foi em 1982 que surgiu o conceituado Jardim de Infância D. Pedro V, de bem abrangente acção educativa. Sobre ele podem ser consultados interessantes sítios de internet.

Rememorar D. Henriqueta

Para terminar voltemos a rememorar D. Henriqueta, a dama enérgica de raras virtudes, amiga do progresso, grande propagandista da instrução. Assumiu, como já dito, a direcção da casa de caridade desde a primeira hora, em 1855. E isso até falecer, na Quinta do Convento da Verderena em 23 Abril de 1882, vitimada por febre tifóide. (Vide artigo aqui anexo, publicado no “Jornal do Barreiro” em Abril de 1951).
No semanário “O Barreiro” também se pôde ler em 1945 o teor do bem longo testamento de D. Henriqueta, feito “por seu punho” em 1879, documento que demonstra as altas qualidades morais da extinta e o amor que tinha pela instituição que fundara e dirigira durante mais de  26 anos. Apontemos pormenores curiosos e citações algo curtas da sua última vontade: Quis um “enterro modesto, sem convites”. Ser transportada numa simples “sege” e ficar sepultada no Barreiro, onde deverá constar “uma cruz que diga: Aqui jaz a fundadora do Asilo de D. Pedro V do Barreiro”. Deixou ao Asilo a bela quantia de “cem mil reis...”. E determinou também bons montantes de reis a reverter a familiares, ao compadre, às comadres, ao afilhado. E aos criados e criadas, a alguns deles ao longo da vida. E a remuneração aos que a transportarem após o óbito. E também, por exemplo, a quantia de “dois mil reis” a favor da “mulher que dá água para o asilo”. E a testamenteira até deliberou o modo a quem deverão ser repartidas suas peças de vestuário...
O nome da filantropa, benemérita, deveria pertencer à toponímia local. Assim, aconteceu que a Travessa da Creche, depois Rua à Quinta da Cerca passou a denominar-se, em 1954, Rua Dona Henriqueta Gomes de Araújo, ali na área tão histórica do Asilo / Patronato. Já foi sugerido que deveria existir no Barreiro um monumento dedicado à memória de D. Henriqueta. Seria, portanto, o primeiro padrão que, por cá, honrasse uma grande personalidade do sexo feminino. Mas...   

 
 
IMAGENS & ILUSTRAÇÕES