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José Francisco da Costa Neves  (1895-1988)
Funcionário público, humanista, filantropo, associativista

Este evocado nasceu na casa dos pais, Travessa do Poço, em pleno Barreiro Antigo. Fez a primária na Escola Conde Ferreira. (Aqui foi colega de Henrique Galvão, também vindo ao mundo em 1895 no Barreiro, de quem se tornaria bom amigo). Em garoto recebeu explicações, incluindo de francês, do relevante socialista publicista Ladislau Batalha. Costa Neves foi menino de boas famílias. Seu pai, José Francisco Neves, muito dedicado a tarefas sociais, exerceu o cargo de Chefe da Secretaria do Município do Barreiro. Com o 5 de Outubro de 1910 viu-se destituído, sendo atingido por sérias sevícias.
O nosso biografado, ainda concluiu o curso liceal no Passos Manuel, então no Carmo, mas teve que renunciar a estudos universitários. Com 20 anos, começou a trabalhar nos Correios em Lisboa. Veio a desposar sua prima Maria Benedita, uma das filhas de João Dias Correia Pimenta, farmacêutico, que havia sido o último Presidente da Câmara do Barreiro no regime monárquico. Nos C.T.T., Costa Neves chegou a chefe de Serviços de Exploração. Levou a cabo obras de benemerência interna, incluindo abertura de creches. Fez instalar refeitórios. Para estas notas biográficas procuraremos repetir pouco do que publicámos no “JB” em 15 de Setembro de 1995 quando do centenário do nascimento deste nosso vinculado. (Esse artigo poderá ser lido mais adiante).  
  

Costa Neves sucedeu a Armando da Silva Pais como Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Barreiro em 1951. Traçou estudos conducentes ao surgimento dum Hospital que merecesse tal nome. Os cuidados médicos na Santa Casa, situada na “Praça Velha”, não eram suficientes. Muitos pacientes tinham obviamente que recorrer aos hospitais de Lisboa. Quando o barreirense Manuel da Costa Figueira, o fundador do “Jornal do Barreiro”, se tornou Presidente da Câmara do Barreiro, em Junho de 1951, Costa Neves estabeleceu forte ligação com ele. Dirigiram-se à Comissão de Construções Hospitalares que afirmou prestar auxílio. Há aqui que sublinhar que, naquela época, a comparticipação do Estado era, em regra, de uns 50% do valor orçado da obra. Então como obter o restante?
Desde cedo se conseguiu o terreno para o Hospital sub-regional. Ficaria adjacente à vila, na estrada direcionada a Sul, na chamada Baixa do Convento, Verderena. O projecto foi aprovado superiormente, a primeira pedra colocada em Agosto de 1953. Em Janeiro do ano seguinte iniciaram-se os trabalhos. Mas a comparticipação do Estado não chegava, nem de longe, para a construção dum Hospital com as dimensões desejadas.
Tinham que advir donativos. Destes, os mais avultados seriam devidos à generosidade de D. Manuel de Mello. (Note-se que este Administrador da Companhia União Fabril, era amigo de Costa Neves. Tinham sido colegas no antigo Liceu Passos Manuel). Sucederam acções de angariação de fundos, tais como os belos cortejos de oferendas, peditórios, festejos. Finalmente, em Janeiro de 1959 entrou em funcionamento o denominado Hospital de Nossa Senhora do Rosário, com o serviço de enfermagem a cargo de Irmãs Salesianas. Como alguém escreveu, este Hospital “foi possível pela fé, pelo amor e pelo carinho que lhe dedicouCosta Neves, que sempre contou com a muito prestimosa colaboração dos mesários ao longo de três gerências da Misericórdia. E quanto ao edifício da velhinha Misericórdia defronte da Igreja Matriz? Em 1956, a Santa Casa já tinha sido adaptada para albergar idosos de ambos os sexos. Nascera o Asilo de S. José.    

O “pai do Hospital”  - O Luso F.C. - O Club 22 de Novembro

Aí há uma década, quem aqui escreve conversou na Avenida Alfredo Silva com o Dr. Agostinho Nunes. Os temas foram: a antiga Misericórdia, Costa Neves, o Hospital sub-regional. O Dr. Agostinho simpaticamente esclareceu-nos, confirmou-nos, isto e aquilo. Por fim rematou: “O Costa Neves foi o pai do Hospital...”. Há que reproduzir aqui esta afirmação do notável barreirense, que já nos deixou para sempre.   
No princípio da década de trinta o associativista Costa Neves ocupou o cargo de presidente da Direcção do Club 22 de Novembro, na Rua Marquês de Pombal. O nosso evocado também ficou bem conhecido por ter introduzido, nessa colectividade, uma Cruz de Cristo com a divisa camoneana “E se mais mundo houvera lá chegara”. Tornou-se, com este verso de “Os Lusíadas ”, o criador do novo emblema do 22. A propósito... Como se sabe, em 30 de Janeiro de 1978, o Club (ou Clube...) 22 de Novembro diluiu-se em chamas. A tragédia não fora causada por curto-circuito. Sempre se perguntou, muito se especulou se o incêndio teria sido posto por mão criminosa...
Costa Neves não manifestava interesse excepcional pelas agremiações desportivas da sua terra. Porém, nos anos 20 mostrou-se sério adepto do Luso F.C., o rival do F.C. Barreirense. Tal demonstra-se pelo facto de ter exercido o cargo de Presidente da Assembleia Geral dos lusófilos em 1926/27. (Vide adiante um extracto de carta do Luso).

Quanto à posteridade                                   

Costa Neves nunca foi de política. Era monárquico convicto, tal como seus familiares próximos. Afirmou que se insurgira, em jovem, tal como a maioria do povo, republicano ou não, contra a anarquia administrativa, e não só, daquela I República. Mas Costa Neves não pugnou pela restauração da Monarquia. Ele lutou, sim, e profundamente, pela melhoria da assistência social na sua terra natal. Era de formação religiosa, humanitária. Recorde-se que, no Barreiro, nos primórdios daquela democrática República, a religião, os templos, caíram em tremenda desgraça. O edifício da Igreja Matriz camarra, por exemplo, tornou-se, após o 5 de Outubro de 1910, armazém de fardos de cortiça, de bidons e barricas dos mais variados produtos. Por razões de segurança, na vila não residia qualquer pároco. Aquele templo foi reaberto ao culto apenas em ... Maio de 1929! E a Capela da Misericórdia, pequeno templo em frente da Igreja Paroquial de Santa Cruz só foi reconstituída e restituída ao culto por iniciativa do Provedor Costa Neves.       
Sabe-se que este nosso evocado chegou a ser presidente da Comissão Concelhia da União Nacional. Mas sempre se afirmou, se ele exerceu aquele cargo na U.N. foi com o fim de poder ter acesso facilitado a individualidades que pudessem cooperar nas suas acções em prol da assistência social no Barreiro. Tal viria a ser bem positivo para a vila... Sim, a Grande Guerra ainda não estava longe, a população do Barreiro, lá pelos anos 40/50, não deixara de se expandir dia a dia com cidadãos chegados de outras regiões, quantos em situação de miséria. Como o próprio Costa Neves escreveu no “JB” de 22-10-1953, ele desejava “amparar os pobres, os humildes, os doentes, as crianças no dealbar da vida”.    
Tornou-se incansável Provedor da Santa Casa do Barreiro durante 24 anos, até que o golpe de Estado de Abril de lá o apartou em Janeiro de 1975. A política deste íntegro, notável barreirense foi, realmente promover, a assistência social. O orgulhoso barreirense de gema foi, como atrás se disse, o “pai do Hospital” inaugurado em 1959. E sempre possuído de filantropia, também ajudava, com frequência, carenciados do Barreiro. Era a sua maneira de ser.    
Desde há bons anos, Costa Neves passou muito injustamente a ser esquecido por alguns. Até 2013, o ano em que é redigido o presente texto, o seu nome - por incrível que pareça, ou talvez não - nem sequer foi integrado na toponímia do Barreiro. E será que o nome do insigne humanista barreirense não poderia ser dado a uma instância social local? Tal seria bem meritório, pois a assistência na localidade, então fortemente industrial e ferroviária, muito lhe ficou a dever. Aguardemos que a memória do benemerente cidadão José Francisco da Costa Neves venha um dia a ser preservada dignamente.

 
 
 
 
 
 
 
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