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FRANCISCO HORTA RAPOSO (1910 - 1997)
Despachante, associativista, jornalista, desportista

Rememora-se um vulto que se tornou notável no Barreiro dos meados do século XX, naqueles tempos em que se iam diluindo as résteas das enormes agruras causadas no Portugal não beligerante pela Guerra Civil em Espanha e pela II Guerra Mundial. Naquela época, a vila muito se distinguia positivamente no País. Isso não só no labor, em especial no industrial. Também na ampla dedicação ao associativismo, no excelente desporto que se praticava, nas diversas artes. E quanto às letras, às bibliotecas, pelo elevado número de cidadãos que se batiam pela cultura. Entre estes há que fixar este nosso vinculado.

Francisco Horta Raposo nasceu em Santa Vitória, concelho de Beja, em 3 de Outubro de 1910. (Na cópia da Ficha de Associado do Luso, que aqui anexamos, lê-se 3 de Julho). Com oito meses já vivia no Barreiro. De profissão tornar-se-ia despachante da alfândega na capital, por fim com escritório próprio.                        

Associativista, jornalista, desportista

Como a grande maioria dos jovens de então, Francisco era um entusiasta pelo chuto na bola. Foi Eduardo Fernandes, outro bem distinto associativista, que levou Horta Raposo, com 15 anos, a fazer-se sócio do Luso F. C., os azuis do Barreiro. Este clube, tornara-se rival do F. C. Barreirense, os rubro-brancos locais. O rapaz começou a jogar no Luso como infantil do desporto-rei. Chegou a envergar a camisola do Leões Foot-Ball Club Barreirense. (Uma das valentes agremiações populares. Esta era sediada na Rua Marquês de Pombal, a metros do Largo das Obras). Também praticou oficialmente o desporto-rei pela Associação Académica do Barreiro, então na Rua Aguiar. (Vide imagens de cartões mais adiante). Mas regressou ao Luso, seu clube de eleição, onde se tornaria elemento admirado e respeitado.   
Foi dirigente das Associações de Basquete do Barreiro e de Setúbal. Pertenceu à Direcção do Clube 22 de Novembro e às bibliotecas do Luso e dos Penicheiros. A sua brilhante obra na imprensa foi “O LUSO - BOLETIM” (mensal, bimensal, por fim trimestral), que dirigiu de 1947 até 1986. Lá deram à pena, com muito valor, José Silva Carvalho e Guita Júnior. E estreou-se a divulgar escritos o jovem Jorge Morais, hoje escritor. Reproduzimos aqui três primeiras páginas d’ “O Luso - Boletim”. Como opinámos no “Jornal do Barreiro” de 4 de Agosto de 2001, aquela longevidade à frente de um órgão de clube é certamente rara, senão mesmo única. 

Já de idade avançada, Horta Raposo dedicou-se primordialmente à escrita e à cultura. Foi um obreiro das Comissões Culturais do Luso F. C. onde se organizavam aulas de várias disciplinas. Assinou bom número de textos nas páginas culturais de João Liberal (“Jornal do Barreiro”, essencialmente na década de noventa). Também publicou crónicas em “Um Olhar sobre o Barreiro”, de Augusto Valegas.  

 

A Fusão, a União

Quem aqui escreve, uma vez por outra trocou curtas impressões sobre a imprensa com Horta Raposo, na loja da D. Laurinda, a Livraria e Papelaria 1.° de Janeiro, defronte do parque. Uma vez, no princípio dos anos noventa, ele convidou-nos para ir a sua casa, ali a algumas dezenas de metros, na Rua Eusébio Leão. Travámos conhecimento com a esposa. Durante umas duas horas mostrou-nos elementos do seu arquivo de associativista. E, com a maior simpatia, ofereceu-nos interessante papelada histórica, incluindo cópias de fotos. E até cedeu uma página, já bem amarelada, do jornal “Baliza” onde veio a público a entrevista por ele concedida em Julho de 1946, em que o tema principal é a fusão, que tanto aspirava, entre o Luso e o Barreirense. Horta Raposo era então o Presidente dos lusófilos... Como consta nesse trecho da “Baliza” (periódico que desconhecíamos) o caso daquela fusão continuava “a agitar-se nos bastidores do Desporto local”. Tal artigo pode ser lido aqui mais adiante, assim como outro escrito de Fevereiro de 1944, saído no semanário “O Barreiro”, onde, pela primeira vez, ele havia alvitrado, por escrito, aquela fusão.
Mas o tema não ficou por aqui. Em 24 de Julho de 1992, o “Jornal do Barreiro” divulgou um longo, vigoroso trecho de página, da autoria de Horta Raposo, onde figuram os emblemas dos “três grandes do Barreiro”, e também se reportam os dois artigos já referidos. E onde ele agora se expressa a favor duma “uniãoQuimigal e Barreirense, a que o Luso deveria aderir. Lá afirma-se que os “consequentes défices monetários alertaram e trouxeram de novo à lembrança ainda se poder acudir aos males latentes que os afligem”. Tinham sucedido “reuniões”, também com a Câmara, debatendo a “união”. Quase no final surge, porém, que “neste momento tudo se encontra no ponto zero”. E “a Câmara põe ponto final em “reuniões”. E sobre este tema, quando do presente escrito, tudo prossegue no “ponto zero”...
Finaliza-se. Horta Raposo recebeu distinções do Luso F. C. (como o Emblema de Ouro de Bons Serviços) e também do Município. Seu nome pertence à toponímia da freguesia do Alto do Seixalinho, Barreiro. Faleceu na vila em 5 de Agosto de 1997. Crê-se bem que os desportistas do Barreiro bastante se poderão orgulhar de Francisco Horta Raposo.