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ANTÓNIO   JOSÉ   PILOTO    (1886  -  1967)
Ferroviário, anarco-sindicalista, jornalista, funcionário público

Divulga-se aqui algo respeitante a António José Piloto, que se distinguiu, durante bons anos, como um mentor libertário da Associação de Classe das Oficinas Gerais do Barreiro. As doutrinas anarquistas predominaram no operariado durante boas décadas. Tal preponderância começou a decrescer durante a segunda metade dos anos 20 do século passado.
Este nosso rememorado era alentejano, nascido no concelho de Arraiolos em 19 de Maio de 1886. Começou bem jovem a laborar nos Caminhos de Ferro, estatais, passando por várias estações até ser transferido para o Barreiro em 1908. Mostrou-se muito activo no sindicalismo. Dedicou-se à imprensa. Seu nome consta, como editor, no cabeçalho do primeiro número d’ “O Sul e Sueste”, que apareceu nas bancas em 7 de Set. de 1919. A redacção encontrava-se - lê-se - na “Rua Aguiar 282 – Barreiro-Portugal”. Este “Órgão da classe ferroviária do Sul e Sueste” duraria até 1933.   
António Piloto desde sempre participou em grande nas lutas laborais. Em 1918, devido a uma greve dos ferroviários, foi um dos activistas encarcerados pelas autoridades. Ele pertencia à direcção da Associação de Classe dos Ferroviários. Outro dos presos foi seu colega Miguel Correia que também morava no Barreiro. Saliente-se que M. Correia era tido como o mais relevante trabalhador-dirigente da classe ferroviária do Sul. (Seu nome já se encontra incluído neste site dos Vinculados ao Barreiro, com o n° 3).
Na I República (1910-1926) os ferroviários sulistas desde sempre estiveram em forte peleja pelos seus direitos com aquele regime calamitoso, por fim catastrófico, por alguns dito “democrático”, onde existiram ... 42 governos em 16 anos! António Piloto voltou a ser metido atrás de grades de prisão na  república seguinte. Por fim, Piloto arredou-se dos Caminhos de Ferro. Mas, mesmo com seu vigor na luta por aspirações laborais, era benquisto na generalidade, graças aos seus amáveis, humanitários, dotes pessoais.
 

Quem aqui escreve auscultou há anos as opiniões de antigos ferroviários barreirenses, já de certa idade, quanto às personalidades de António José Piloto e Miguel Correia. Em entrevista publicada na VB (1999), o simpático Octávio Martins afirmou, por exemplo, que Miguel Correia era como que “o dono das oficinas”. Assistira a comícios dos anarquistas, que tinham lugar num quintal anexo ao Sindicato dos Ferroviários, em terreno onde surgiria a magnífica sede da colectividade SDUB “Os Franceses”. M. Correia era o melhor orador e o mais revolucionário. Piloto era mais calmo. Outro conhecedor que contactámos ainda se recordava duma frase com que Piloto findara um discurso ante trabalhadores: “Camaradas, cerrar fileiras, firmes, mas serenos...”).              
Preparando uma série de textos saídos na VB em 2000 quem aqui escreve visitou o também simpático Manuel Firmo na sua residência em Barcelona. A nosso pedido, este anarco-sindicalista tarrafalista pronunciou-se também sobre António José Piloto, que bem conhecera. Confirmou que ele era muito humano. E lembrava-se que D. Esther da Costa Figueira tinha pertencido, tal como Piloto, à comissão de angariação de fundos para o Dispensário Anti-Tuberculoso. E que D. Esther tudo fizera para que Piloto obtivesse emprego no Instituto Nacional de Assistência aos Tuberculosos, em Lisboa. E Piloto ficou funcionário do Estado. Por fim, residiu na capital, onde faleceu com 81 anos em 12 de Dez. de 1967. (Uma adenda: D. Esther da Costa Figueira também faz parte destes Vinculados ao Barreiro, com o n° 10).

Dispensário Anti-Tuberculoso

Sempre se afirmou que António José Piloto foi o primeiro cidadão a manifestar com desenvoltura a enorme necessidade de se construir na vila um centro medicinal que combatesse a terrível tuberculose. E tão relevante projecto iria mesmo para a frente. Reproduzimos agora dados que constam no tomo “O Barreiro Contemporâneo I”, autor A. S. Pais. Em Junho de 1932 reuniu-se uma comissão presidida por António José Piloto. Dela resultou uma Comissão Executiva, cujo presidente foi o dr. Manuel Pacheco Nobre. A ela ainda pertenciam A. Piloto, Manuel dos Santos Cabanas, Luís Correia Matias, Aníbal Pereira Fernandes, Henrique Sousa Gião, Manuel Preto Chagas, Mário Firmino, João Inácio Nunes Jr. e Alfredo Figueiras. Também se constituiu uma comissão feminina, em que D. Esther Figueira tomou a presidência executiva. A 1ª pedra do Dispensário foi lançada em 1-5-1933, num talhão oferecido pela Câmara. Na cerimónia, António Piloto foi o primeiro a usar a palavra. A inauguração do – então - Dispensário Anti-Tuberculoso – em que  António Piloto também voltou a discursar -  sucedeu em 3 de Maio de 1934. Estava localizado a poucas dezenas de metros da área onde surgiria o Parque Municipal ao qual foi outorgado o nome dum político e ministro.  
Lemos há bastos anos no JB que o Dispensário ficou localizado numa nova artéria que seria denominada, por pouco tempo, Avenida Chamberlain. (Era um político britânico que ascendeu a primeiro ministro. Foi A. Neville Chamberlain que em Setembro de 1939 anunciou a declaração de guerra do seu país à Alemanha de Hitler. O seu sucessor  seria o celebérrimo Winston Churchill). Em 1951, a artéria passou a denominar-se Avenida de Marechal Carmona, o falecido Presidente da República. Após Abril de 1974 ofuscou-se, na toponímia local, o nome de Carmona. A artéria passou a chamar-se Avenida Henrique Galvão, enaltecendo um barreirense famoso. Bastante interessante, crê-se...
Publicaremos em anexo a notícia do óbito de Piloto saída no JB de 28-12-1967. E ainda um ligeiro àparte: o mestre Manuel Cabanas era bom amigo de António Piloto. Em 1983, 16 anos (!) após a morte dele, Cabanas gravou um seu retrato. Foi uma das últimas gravuras em madeira que o mestre xilógrafo executou. Reproduzimo-la com prazer neste trabalho.