Nótulas Introdutórias

Barreiro Imagens

ArtBarreiro.com

Links Complementares

Contactos

 

Joaquim Alfredo Gallis
José Picoito
Miguel Correia
Alfredo Figueiras
Alfredo Zarcos
Domingos Silva
José Augusto Pimenta
Leonídio Martins
Nathércia Couto
M. Esther da Costa Figueira
A. César de Vasconcelos
Mário R. Solano "Lá-Vai"
José M. Dupont de Sousa
Ladislau Batalha
António Horta Rodrigues
Felizardo da Cruz "Buraca"
Rafael Idézio Pimenta
Carlos dos Santos Costa
Artur Baeta
Maria Neves da Silveira
Padre Santos Costa
J. Madureira "Braz Burity"
Júlio Araújo
Armando da Silva Pais
António Balseiro Fragata
Augusto Sabbo
Júlio Costa "Julinho"
Raquelina Martins César
Joaquim Oliveira da Silva
Aquiles de Almeida
Manuel Teixeira Gomes
C. de Sá, Conde do Lavradio
M. Gualdino "do comboiozinho"
Belisário Pimenta
Artur Agostinho
António José da Loura
Felismina Madeira
Fialho de Almeida
Henriqueta Gomes de Araújo
Francisco da Costa Neves
Francisco Horta Raposo
José Joaquim "Oficial"
António José Piloto
São Pedro de Alcântara
Plínio Sérgio
Herculano Marinho
Augusto Gil
Francisco Casal

VINCULADOS I

 

GRUPO I

 

GRUPO II

 

GRUPO III

 

GRUPO IV

 
SÃO  PEDRO  DE  ALCÂNTARA   (1499 – 1562)
Sublime figura religiosa também vinculada a Palhais

Uma pergunta... Haverá algum vulto épico que tivesse residido na área do actual concelho do Barreiro e que bastas décadas após seu fim tivesse recebido a santificação do Vaticano? Cremos que a grande maioria dos interrogados diria não saber, ou responderia de modo negativo. Na realidade, a resposta correcta é... sim, existiu realmente! O idioma desse santo era o castelhano. Desejamos invocar aqui Juan de Sanabria, conhecido e eternizado pelo nome de Pedro de Alcântara. De famílias nobres, nasceu em 1499 no “pueblo” de Alcântara, província de Cáceres, Extremadura espanhola, na margem esquerda do Tejo, a 5 km da nossa fronteira. Logo aos 16 anos vestiu ele o hábito franciscano. Como bem se sabe, os franciscanos pertencem à ordem que tem por Patrono São Francisco de Assis, personagem que é um deslumbrante exemplo das melhores virtudes cristãs.
Com apenas 21 anos Pedro de Alcântara foi eleito guardião dum convento da sua província natal. Aconselhava a humildade cristã sem ostentações. Desprezava luxos e vaidades, por tudo ser mesquinho e transitório. Durante bom número de anos não se alimentava todos os dias e preferia dormir sempre muito pouco. Vivia de acordo com a doutrina que apregoava. Muito aconselhava a prática da caridade, dando grandes exemplos. Convencia e dominava seus ouvintes com sua eloquência. Suas virtudes e penitências rigorosas grangearam-lhe enorme fama.
A primeira vez que Pedro de Alcântara se deslocou a Portugal foi em 1537, a convite de el-Rei D. João III, cognominado o Piedoso, que tivera conhecimento das qualidades do frade espanhol. Este deu então os seus conselhos ao monarca e a suas filhas D. Isabel e D. Maria, que também ouviram de Pedro dedicadas pregações. 
Houve duas relevantes figuras religiosas que conheceram pessoalmente o Freire Pedro de Alcântara que, felizmente, deixaram relevantes textos sobre ele. Referem-se aqui Teresa de Jesus, de Ávila, espanhola, que também seria santificada, e o Freire António da Piedade, português, bem ligado que foi à nossa Arrábida.
Para este texto respigámos também alguns dos elementos divulgados por um monógrafo barreirense em textos de imprensa de 1947 e 1951 e num tomo de historiografia regional editado em 1963.

O Convento de Palhais

Pedro de Alcântara participou na fundação do pequeno, modesto, Convento de Nossa Senhora dos Prazeres, em Palhais. Ele foi seu primeiro guardião e ainda mestre dos seus noviços durante cerca de dois anos (1542-1544). Freire António da Piedade contou que lá, em Palhais, bastantes doentes afirmavam ter melhorado das suas enfermidades após se terem banhado em águas que corriam dum tanque existente na cerca do Convento. Essas águas tornaram-se milagrosas após terem sido revolvidas pelo guardião. Pedro de Alcântara também ia lá banhar-se sempre que sentia tentações das piores. E, com o banho, tais vontades censuráveis sumiam-se como por encanto. O nosso rememorado regressou à região de Cáceres em 1544. Fundou o ramo da Ordem de São Francisco denominado dos franciscanos descalços. Faleceu em 18 de Outubro de 1562, com 63 anos, na província de Ávila.
Com o tempo, o Convento dos Prazeres, de Palhais, iria ficar infelizmente reduzido a umas tantas paredes arruinadas. Numerosos materiais do edifício tinham sido desviados. Consta que dele também foram retiradas duas bem históricas lápides tumulares, que estiveram depositadas na Escola de Torpedos de Vale de Zebro, até 1923.
O portentoso, venerável franciscano foi beatificado pelo Papa Gregório XV em 1622. A canonização foi expedida em 1669, sob a acção do Papa Clemente IX.

 

Miradouro de São Pedro de Alcântara

Desconhecemos quando foi atribuído o nome do venerável São Pedro de Alcântara àquela rua a passos do Bairro Alto, onde existe o miradouro que oferece imponente vista sobre Lisboa. Quanto a estes aspectos, e outros, reproduzimos aqui gravuras em buxo executadas pelo mestre xilógrafo algarvio Manuel dos Santos Cabanas (1902-1995) que viveu mais de meio século no Barreiro.