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Francisco Alves Casal (1805 - 1881)

Funcionário público de relevo, militar, humanista

Apresentam-se notas biográficas de um insigne barreirense, que viveu na última dinastia nacional. Pertenceu à conceituada família Cazal. (Durante bastas gerações a ortografia correcta deste apelido continha a letra “Z”. No presente trecho segue-se a ortografia actual). Sabe-se que já no século 18 existiu um prédio de relevo, pertencente à família Casal, na antiga Rua de Palhais. Nele residiu o comandante Francisco Alvarez Casal. A casa passou para seu filho, Francisco Alves Casal, que lá nascera em 1805.
Este camarro veio a atingir preponderância política local, ocupando postos de relevo, como Presidente da Câmara, Administrador do Concelho, juiz, Provedor da Misericórdia e mesmo capitão das ordenanças. Consta em acta que em 1873 – era F. Alves Casal o Presidente do Município – foram apresentadas importantes plantas de arquitectura, entre as quais, as primeiras para o tão desejado prédio dos novos Paços do Concelho. Mas as verbas... O projecto não se realizou. A vila teve ainda que esperar mais de trinta anos até surgir um novo, belo edifício camarário. Na época em que a Monarquia estava prestes a despedir-se.    
Armando S. Pais (1914-1975), monógrafo local, registou, em livro e na imprensa, interessantes pormenores biográficos de Francisco Casal, que ele obtivera em especial da parte de D. Maria Susana Casal da Cunha Pimenta (1868-1960), a única bisneta do já citado Alvarez Casal e derradeira descendente da família Casal, a bem antiga estirpe barreirense. Saliente-se que um grande amigo de Francisco A. Casal foi Joaquim António de Aguiar, emérito político a nível nacional, que foi hóspede várias vezes em sua casa. (Há que salientar também que Aguiar, nascido em 1792, faleceu em 1874 na quinta que possuia em termo do Lavradio).
Para findar este capítulo cite-se, aqui textualmente, da pena de A.S.Pais.: Francisco Alves Casal “morreu solteiro... A sua morte foi devida a uma fraqueza geral do organismo, por virtude de ter resolvido, a certa altura, não se alimentar, por achar que já vivera o suficiente. Extraordinária resolução!”.                  
Praça Gago Coutinho e Sacadura Cabral
A casa já mencionada da família Casal, estava localizada em área que passou a ser conhecida por Largo do Casal. Com o tempo, passou, popularmente, a ser simplesmente apelidada de “Largo Casal”. Isso até aos dias de hoje. Lê-se que noutro tempo, o nome oficial do denominado Largo Casal foi Largo da Alegria, quando no topo sul da praça se ergueu um edifício duma colectividade popular, de nome S.I.R.B., ou “Penicheiros”.
Mas em 1922 aconteceu a primeira travessia aérea do Atlântico Sul, de Portugal até ao Brasil, magna acção dos grandes Gago Coutinho e Sacadura Cabral. A alegria e o orgulho ocuparam a Pátria por algum tempo. Os portugueses, que então se batiam naquela decepcionante, desastrosa, pseudodemocrática I República, bem mereceram sentir aquele inolvidável júbilo brotado daqueles dois heróis. A Câmara do Barreiro desejou, e bem, celebrar o acontecimento na toponímia. O Largo da Alegria passou a chamar-se, em 8 de Maio de 1922, Praça Gago Coutinho e Sacadura Cabral.
Tudo correcto, mas na voz do Povo, aquele largo, ou praça, continua a chamar-se “Largo Casal”. Sim, quem aqui dá à pena, nunca ouviu alguém dizer frase do género. “Eh pá, vamos beber ali uma bica à Praça Gago Coutinho e Sacadura Cabral”. Bem, na linguagem normal, popular tal sería uma toponímia demasiado extensa.  
O “Largo Casal”, aí há meio século
Deixemos correr memórias de tempos já bastante idos. O “Largo Casal” (para nós, com aspas...) sempre foi visto como uma verdadeira praça. Ficava lá a alfaiataria de Mário Nunes. Entrámos agora em comunicação (desta vez telefónica) com o bem conhecido Mário “Alfaiate”. Ele será hoje, sem dúvida, dos melhores, senão o melhor conhecedor do comércio existente naquele espaço há meio século, mais década, menos década.
A loja de Mário encontrava-se ao lado da drogaria do Heitor, seu tio materno. Depois surgia a taberna do Artur, irmão do Heitor. Note-se que um estabelecimento de alfaiataria de boas proporções, situava-se no lado contrário do largo, na esquina a metros dos “Penicheiros”. O comerciante era Félix Ferreira, progenitor de mancebos que se tornariam bem conhecidos. Recorde-se, por exemplo, Armando Ferreira, o exímio futebolista que representou o Império do Barreiro, o Barreirense e o Sporting (até quando os seus avançados eram apelidados de “violinos”). Armando também envergou a camisola da selecção de todos nós e foi o primeiro barreirense a ocupar o posto de seleccionador nacional. (Naquele prédio surgiria o Cine Clube do Barreiro).
A sede do F.C.Barreirense chegou a abranger, desde 1923, o longo primeiro andar do lado ocidental do “Largo Casal”, com entrada pela Rua Aguiar. Quando os rubro-brancos passaram oficialmente para Lisboa, mantiveram aquele primeiro andar como... sede da filial. O F.C.B. retornou à antiga sede na vila industrial, permanecendo no “Largo Casal” até 1939.
Naquele rés-do-chão há ainda que referir os antigos café do Toino “Guloso” (antes uma taberna) e a carvoaria da Ti´Chica (a avó dos “Carochas”). Depois era o Café Casalense até à esquina. Logo a seguir, já na Rua Almirante Reis existiu o Atelier Fotográfico de João Rezende (e de seu irmão Artur), fazedores de magníficos clichés. Foram os Rezendes a quem a História da vila de então muito ficou a dever.
Em frente dos “Penicheiros”, lá no fundo, constou a ourivesaria do Dimas. E também o Café Chic (ou da Chic), que tinha sido anteriormente a leitaria Alves. A Chic, na realidade chegou a ser o café mais... chic da localidade. Mas tal antes de surgir o Café Barreiro, localizado a poucas dezenas de metros da Chic, para Oriente, também na Rua Aguiar. (Por último, no enorme rés-do-chão ainda abriu um café denominado Praiense). Em 2013, ano da feitura do presente escrito, os prédios ainda lá estão, mas desapareceram os dois históricos locais frequentados por tantos apreciadores de bicas, de imperiais, de bolas de Berlim e pastéis de nata, que tanto se exultavam quando o Barreirensezinho vencia em futebol, em particular, os “quatro grandes” e os rivais distritais. E quanto às jogatanas disputadas lá no Café Barreiro, que incluiam bilhar, bonecos, damas, xadrêz, cartas? E as tertúlias de apreciadores da imprensa, da cultura e de tópicos essencialmente lisboetas? A mais famosa tertúlia chamou-se Cenáculo Barbosa du Bocage, em que seus membros se reuniam semanalmente, numa sala lá de trás. Isso ao longo da devastadora II Guerra Mundial. 
Levava-se pouco mais de um minuto, seguindo pela Rua Aguiar, para ir do Café da Chic até ao Café Barreiro. Passava-se por outra alfaiataria, a dos Macedos, pela mercearia do Zé do Café, pela barbearia do Horta, pela Singer, pela Livraria Lusitânia do Xi-Câmara. Os prédios ainda lá estão, mas... com portas e janelas bem encerradas, fortemente. O que desapareceu, mon Dieu!.. Há indivíduos que sentem bastante a coisa, que lamentam, em especial quando por ali passeiam... Agora, para terminar, um valente abraço ao Mário.   

 
 

FRANCISCO CASAL - IMAGENS