Nótulas Introdutórias

Barreiro Imagens

ArtBarreiro.com

Links Complementares

Contactos

 

Joaquim Alfredo Gallis
José Picoito
Miguel Correia
Alfredo Figueiras
Alfredo Zarcos
Domingos Silva
José Augusto Pimenta
Leonídio Martins
Nathércia Couto
M. Esther da Costa Figueira
A. César de Vasconcelos
Mário R. Solano "Lá-Vai"
José M. Dupont de Sousa
Ladislau Batalha
António Horta Rodrigues
Felizardo da Cruz "Buraca"
Rafael Idézio Pimenta
Carlos dos Santos Costa
Artur Baeta
Maria Neves da Silveira
Padre Santos Costa
J. Madureira "Braz Burity"
Júlio Araújo
Armando da Silva Pais
António Balseiro Fragata
Augusto Sabbo
Júlio Costa "Julinho"
Raquelina Martins César
Joaquim Oliveira da Silva
Aquiles de Almeida
Manuel Teixeira Gomes
C. de Sá, Conde do Lavradio
M. Gualdino "do comboiozinho"
Belisário Pimenta
Artur Agostinho
António José da Loura
Felismina Madeira
Fialho de Almeida
Henriqueta Gomes de Araújo
Francisco da Costa Neves
Francisco Horta Raposo
José Joaquim "Oficial"
António José Piloto
São Pedro de Alcântara
Plínio Sérgio
Herculano Marinho
Augusto Gil
Francisco Casal

 
 
  LINKS
  AMÉRICO MARINHO
  CÂNDIDO LOPES
  MANUEL CABANAS
  BELMIRO FERREIRA
 

VINCULADOS AO BARREIRO - I

JORNALISTAS  ESCRITORES  ARTISTAS  FIGURAS POPULARES

GRUPO I

 

GRUPO II

 

GRUPO III

 

GRUPO IV

 
 

Nótulas introdutórias

Já todos nos deixaram para sempre. Foram vultos vindos ao mundo no concelho do Barreiro, ou barreirenses adoptivos, ou descendentes de barreirenses, ou então cidadãos originários de outras terras que chegaram a residir no Barreiro. Ou daqueles que conheceram na vila (depois cidade) momentos muitos especiais, positivos ou negativos. De qualquer modo, esses barreirenses ficaram VINCULADOS AO BARREIRO. E desejamos contribuir para que fiquem ainda mais…
Iremos encetar este trabalho honrando alguns dos que, em especial, se destacaram na benemerência, na filantropia, no jornalismo, na poesia, na literatura, na música. Também gostaríamos de dar ênfase às chamadas figuras populares, ontem tão disseminadas, hoje bastante reduzidas. Projectamos também vir a lume com pequenas crónicas biográficas alusivas aos ligados aos espectáculos, ao desporto, ao associativismo, onde o Barreiro há boas décadas se patenteou como localidade sui generis no panorama nacional.
Nunca regateámos, nunca regatearemos o Barreiro, nossa terra natal, mas – confessamos – já não o sentimos acrisoladamente, desmesuradamente, como noutros tempos.
Porquê? Terá sido porque em 1965 nos ausentámos para a democrática Confederação Helvética, refazendo a vida? (Essa nossa “deserção” ocorreu precisamente dois dias antes da inauguração da estátua ao industrial Alfredo da Silva na avenida mais relevante do Barreiro). Fizemos a primária e brincámos na parte antiga da vila, que nos dias de hoje parece cair aos bocados. Sim, o Barreiro já não se encontra tão apegado ao coração deste escrevinhador. A despeito de algumas evoluções felizes transcorridas aqui à volta do estuário do Tejo…
O Barreiro de hoje, residencial e de serviços (alguns aplicam-lhe o apodo de “dormitório”) faz-nos lembrar a então vila de Almada na nossa juventude. Nós, lá no segundo ciclo do Passos Manuel, éramos conhecido de tantos simplesmente por “o barreirense”, quando naquele liceu estudavam umas duas a três dezenas de nossos conterrâneos. Tínhamos “pena” de muitos colegas da nossa margem do Tejo que em nada se orgulhavam de ter nascido, por exemplo, em Almada. E quanto ao desporto, seus amores clubistas eram distribuídos, com fervor – “ imagine-se” – pelo Sporting, Benfica ou Belenenses, não pelos clubes da terra natal. Aquilo não nos dava para acreditar, mas era assim… Não podemos deixar de sentir o Barreiro de hoje com bastante … “almadizado”… 
É autêntico. Em tempos que há muito lá foram, na primeira parte de nossa existência, a vila – que tinha sido dos pescadores e agricultores – passara para os ferroviários, corticeiros, cordoeiros, trabalhadores da CUF e … guardas-republicanos a cavalo. A localidade sobressaía imenso no contexto nacional. Porém, tal em nada impedia que o Barreiro fosse, em geral, muito mal-querido, do Norte a Sul. Mas invejado, por classes obreiras de outras terras. Por isso era natural que tantos demandassem o Barreiro a fim de procurar melhorar o nível de vida.
E hoje como é? Hoje não se poderá afirmar que a nossa cidade seja invejada neste país periférico à beira-oceano plantado. Noutras paragens parece que já não se liga assim tanto à nossa antiga metrópole do trabalho. Se o Barreiro até surge tão pouco nos tão educativos diários desportivos.     

 
 
Herdámos, com o sangue, o apego à escrita na imprensa. (Mas não para trechos de ficção ou para a poesia…). Nosso progenitor salientou-se como colunista e publicista, como seu irmão, e ainda mais um primo direito. Nosso bisavô materno assumiu-se como editor do primeiro jornal saído no Barreiro, ano 1898. (Acentue-se que nosso pai se destacou também como o segundo historiador das origens e do pulsar do Barreiro. Quatro grossos volumes monográficos atestam-no, saídos de 1963 a 1971, tidos como dos melhores do seu tempo a nível nacional. E nós honramo-nos em ter colaborado para “O Barreiro Contemporâneo II” no tocante aos dados referentes à quase heróica vertente desportiva cá vivida. Possuímos a prova escrita do que afirmamos…).
Desde sempre juntámos, compusemos elementos sobre personagens relevantes da nossa terra. Para o presente capítulo da nossa vida escorámos em nossas memórias, em notícias da imprensa local e lisboeta, em relatos de nossos familiares (quase todos já idos), em mais de duas centenas de nossas entrevistas a personagens mais idosas, vindas a lume em dois semanários locais, em especial desde 1997. O material obtido tinha obrigação de ganhar certa robustez. Agora resumimo-lo, compilámo-lo, agregámos – sempre que possível – bom número de fotos, em Artbarreiro.com. Caso alguém detecte alguma falta, ou sinta ter que apresentar qualquer sugestão, queira fazê-las chegar ao conhecimento de quem aqui assina.
Lista Negra (ou Blacklist)
Alegadamente existe no Barreiro, a nível oficial, uma lista negra de nomes de pessoas vinculadas ao Barreiro de grande relevo em épocas anteriores à presente República, que parecem ter “caído em desgraça”. Que, a despeito de muito apreciáveis acções ou obras de que os habitantes da vila tanto beneficiaram, não lhe foram concedidos, mesmo a título póstumo, galardões de reconhecimento, seja em diplomas, seja na toponímia. Claro que não poderá ser confirmada a existência de tal lista negra (se se quiser, blacklist). Mas, para muitos, é ponto assente que tal “rol” existe.
Avançamos apenas um caso… O daquela senhora natural do Barreiro, poetisa nata, autora de bem extensa e linda colecção de poemas (boa parte sonetos). Durante décadas publicou suas trovas em especial no “Jornal do Barreiro”, também em publicações de outras localidades. Muito cantou ela temas barreirenses, como os trabalhadores, os lugares da vila, as fábricas, os moinhos, o Tejo, as Festas da Sra. do Rosário, numerosas figuras locais (e nacionais). Temos conhecimento de ela ter sido proposta mais que uma vez para prémios autárquicos locais. Foi rejeitada. Recebeu distinções de outras terras, mas não da sua terra natal… Faleceu idosa em 2007, após prolongada doença, sem ter sido distinguida – tão injustamente – com uma honra barreirense. Ela nem sequer foi de “políticas”. Terá a senhora – pergunta-se – composto versos a alguma personalidade a quem uns tantos consideram nunca o dever ter feito? Quem saberá responder? E se a resposta for positiva, terá invalidado todos os belos momentos, as alegrias, que os seus poemas, os seus livros, proporcionaram a gerações de barreirenses? A alguns parecerá que sim. Uma tristeza camarra…
Mas atenção… Se aquilo que aqui deixamos registado sobre a alegada lista negra não possuir qualquer fundamento, se tudo constituir não mais que resquícios maldosos, insinuações totalmente desprovidas de veracidade, então pedimos mil perdões. Mea culpa, também pelos outros que pensam do mesmo modo que nós. Mas seria, talvez, positivo, se laborássemos em erro… Nesse caso, que os dados contidos em nossas resenhas biográficas, presentes e futuras, destes VINCULADOS AO BARREIRO, venham um dia a ser úteis à memória daquela poetisa e de outras figuras barreirenses de muito gabarito. Para que elas venham a receber - pelo menos postumamente, claro - os galardões a que fizeram jus.
Que aqui fique assinalado que a escolha das figuras incluídas nos VINCULADOS AO BARREIRO não dependerá das suas ideologias. Para nós, a idoneidade é, de longe, mais relevante.
                                                                 Carlos Alberto Mano da Silva Pais
                                                      (Nascido no Barreiro no dia de São João de 1940)